O ano de 1962 foi
histórico não só pelo bicampeonato canarinho no Chile, mas pela derrota de
Jânio Quadros, ao governo paulista, um ano depois da sua renuncia meteórica da
Presidência da Republica.
Com as bandeiras da
moralidade, do combate, à corrupção e da eficácia administrativa, o candidato
que havia deixado o poder devido às “forças terríveis”, que o perseguiam, saíra
do seu antigo partido PDC (Partido Democrata Cristão) e com o apoio do Partido
Trabalhista Nacional (PTN) e Movimento Trabalhista Renovador (MTR), tentava
voltar ao poder e usar como trampolim essa vitória para futuramente voltar ao
cargo perdido.
Mas teve pela
frente o seu desafeto Adhemar de Barros do Partido Social Progressista (PSP),
que havia perdido para ele na disputa para o planalto. Dessa vez Jânio foi
derrotado, conquistando 34, 2 % dos votos (1.125.941). Adhemar seria eleito governador
de São Paulo com 1.249.414 votos, (37,8%).
Dois anos depois João Goulart, então vice de Jânio seria deposto do cargo de
presidente da Republica e o Brasil viveria anos de chumbo, lembrados esse mês
de março, com 50 anos depois do golpe.
Enquanto esse momento obscuro da nossa história não chegava, a seleção
canarinha se preparava para mais um combate. Eram momentos complicados para 16
países, divididos em quatro grupos, as principais forças do esporte até aquele
momento, foram capazes de proporcionar jogos inesquecíveis.
Nosso craque Garrincha havia sido escolhido o melhor jogador da Copa do Mundo
deste ano, com quatro gols marcados e muitos dribles, que deixaram toda a
torcida impressionada.
Comandados por Aymoré Moreira,
treinador carioca de Miracema, o selecionado não tomou conhecimento dos
adversários. O comandante esteve à frente de mais de 15 times no Brasil e
Portugal. Além do titulo pela seleção brasileira no Chile, Moreira, ganhou alguns
poucos torneios.
Gilmar, Djalma Santos, Didi, Zagallo, Vavá, Pepe, Zito, Garrincha e Pelé, com
jogadores como esse não se esperava outra coisa, além do titulo.
No primeiro jogo, do grupo 3, O Brasil ganhou por 2 a 0 do México, com
gols de Zagallo e Pelé. A Tchecoslováquia do mesmo grupo venceu a Espanha de
Puskás por 1 a 0, gol de Stibrányi.
Numa antecipação do que seria a final, Brasil e Tchecoslováquia, se enfrentaram
em Vinã Del Mar, no Estádio Sausalito para o público pífio de 14.903 pagantes,
o jogo ficou 0 x 0.
No terceiro jogo a seleção brasileira venceu por 2 x 1 a Espanha com dois gols
de Amarildo, substituto de Pelé, contundido no segundo jogo. A seleção
Theca perdeu para o México por 3 x 1, mas ainda assim se classificou em segundo
lugar.
Nas quartas-de-final foi a
vez do “anjo das pernas” tortas aprontar e com dois gols seus o Brasil por 3 x
1 a Inglaterra. Enquanto a Tchecoslováquia ganhou de 1 x 0 da Hungria .
Nas semifinais Garrincha faria mais dois gols e os amarelos venceriam os donos
da casa por 4 x 2 no Chile. Na Final 3 x 1 na seleção theca.


