Bom dia, Boa tarde, Boa Noite, meu nome é
Carlinhos Alves, direto de Fortaleza, com mais uma edição do podcast, O
Literato, com resenhas de livros, comentários sobre filmes e séries baseados em
literatura escrita, além de entrevistas, de memórias culturais e histórias de
músicas e poesias que marcaram todas as épocas.
No 2° podcast, vamos
falar sobre o livro: Bar do Anísio: Casa
de Liberdades, da jornalista Isabela
Bosi, pela editora UFC, de 2013.
Todos
nós já fomos para algum lugar encontrar amigos, bater papo, deixar o tempo
passar, ouvir música, cantar juntos enquanto algum amigo dedilha o violão. Nas
minhas memórias estão a Ponte dos
Ingleses, aonde a noite eu ia lá com meu irmão, alguns colegas, ou paqueras
para ver o chocar das ondas nas pedras e o por do sol. Algumas vezes na
infância, acompanhando a minha avó Raimunda,
e tios e primos íamos, ao Cais Bar,
ouvir chorinho e comer bolinha de peixe.
Quantos
de nós já não fomos para algum bar, ao sair da Universidade, os que eu
frequentei nunca me saem da mente, como o Bar
do Pedrinho, Bar do Mucambo, Pitombeira, Erivaldo do Frango (Montese), Cantinho
Acadêmico, são alguns deles bem movimentados pelos intelectuais e políticos
a maioria de esquerda.
Ai,
sempre vinha alguém falando do Bar do Anísio e sem eu me tocar que nem existia
mais. Foi quando nesses últimos dias do mês de maio de 2017 chegou a minhas
mãos esse livro no formato digital, pois estava disponível para ler no ISSUU.
Vinha lendo ele sempre dentro de terminais de ônibus, à noite na volta para
casa.
Pouco
mais de 140 páginas, que faz parte do Trabalho de Conclusão do Curso da autora,
no Curso de Comunicação Social, da Universidade
Federal do Ceará (UFC), um livro reportagem, com orientação de Ronaldo Salgado.
O Bar do
Anísio fechou suas portas em 1985, para dar lugar à modernidade que chegava,
onde seria construído o Hotel Scala.
Dentro do livro, a fala de Rogaciano
Leite sobre esse momento de despedida desse amigo de uma geração: “O Anísio: a história afetiva de uma geração”,
“No local, será erguido um novo
edifício... um flat moderno de 26 andares e 226 apartamentos...”
A
história do livro fala sobre esse Bar do Anísio, que em plena ditadura militar,
foi local de encontro de pessoas jovens e questionadoras, como Augusto Borges, Cláudio Pereira, Belchior,
Fagner, Fausto Nilo, Sérgio Pinheiro, Ednardo, Rodger de Rogério. Nele
foram compostas músicas que marcaram uma época do Pessoal do Ceará, dali surgiu o movimento Massafera, O Bloco de
Carnaval Spaia Brasa.
Anísio
Muniz era ascensorista do Hotel Diogo
e morava no Parque Araxá, antes
tinha morado no Arraial Maria Moura,
aquele dos retirantes que vinham do interior e não podiam entrar na cidade.
Anísio acabou indo morar na Beira Mar, para ajudar na cura da doença da sua
filha Nizia e acabou abrindo uma casa de vendas de comidas que depois virou
lugar de venda de cerveja e aos poucos, os universitários foram descobrindo e
vindo de vários lugares da capital.
A autora
fala na página 13: “Não sei como era seu
jeito de andar, ou de falar. Não posso afirmar com segurança o que o sorriso
dele passava... minhas lembranças não incluem essa figura singular da boemia
cearense. Ou melhor, não incluíam até eu iniciar esse livro...”
Gilmar de Carvalho que escreve o
prefácio do livro diz, que: “O acaso joga
um papel importante. Foi assim que nasceu o Bar do Anísio. A família foi para a
praia em busca de saúde. O bar nasceu para servir cervejinhas para os amigos. As
comidas eram os petiscos que sua esposa fazia. Filhos e filhas atendiam a mesa.
Em tempos que antecipavam planejamento, marketing e design, o Bar do Anísio
tinha tudo para dar errado, mas deu certo”.
Isabela
Bosi é carioca, 28 anos, em 2017, voltou à cidade maravilhosa para fazer
mestrado em Memória Social, antes de ir, em 2013/2014 fez parte do Projeto Pra Você, que deixava cartas em
pontos de ônibus, praças e vários locais da cidade de Fortaleza, onde
desconhecidos liam e se emocionavam.
Hoje são
poucos os lugares que em Fortaleza o dono do bar é amigo do frequentador e as
pessoas se sentem amigas uma das outras, ainda existem, mas são pouquíssimos.
Agradecimentos a toda audiência
deste podcast. Edição e narração Carlinhos Alves, na busca por desbravar o
mundo imaginário, às vezes real e duro e às vezes poético e belo, abraço e até
uma próxima vez.







