Economia
Em meio a
transformações que prometem mudar a cara do cartão postal de Fortaleza, a
Feirinha da Beira-Mar tenta se reinventar para sobreviver
O sol se esconde, a brisa da tarde
começa as refrescar os caminhantes que fazem seu Cooper rotineiro pós-
expediente; alguns turistas começam a descer dos hotéis, enquanto outros chegam
dos passeios turísticos nas principais praias do Ceará: Canoa Quebrada,
Lagoinha, Jericoacoara, etc. São pacotes que os turistas compram ali mesmo no
calçadão às empresas de turismo, que tem seu escritório itinerante em carros,
banners e panfletos. Uma modalidade que passa por crise, por causa das empresas
como CVC, que já fecham passeios junto com o pacote de viajem do turista antes
que ele chegue a Fortaleza.
Já são 16h, outros passageiros estão
embarcando para o passeio de duas horas no Catamarã, que custa 50 reais. Tem
gente que está nas barracas de praia e outros que tem a expectativa de que a
Feirinha da Beira- mar comece seus trabalhos.
Luiz André à esquerda foto: Carlos Emanuel
Luiz André dos Santos, 35, também se apronta para receber os
turistas. Com seu artesanato, com predominância de lembrancinhas de madeiras
ornamentadas com pinturas, ele atrai um grande público consumidor do eixo
Sul-Sudeste. “São 15 anos de trabalho aqui na feirinha ajudando minha irmã e
depois com minha própria barraca” De acordo com o comerciante, nos últimos oito
anos, houve um crescimento nas vendas, incrementado, sobretudo pelas
facilidades que as pessoas puderam ter com os pacotes turísticos, com preços
mais vantajosos.
Projeto Nova Beira
Mar
A única preocupação que ele tem é com
a requalificação da Beira Mar, obra iniciada ainda durante a gestão Luiziane
Lins (PT) em 2011, com a entrega do Espigão da Praia do Ideal e que está
dividido em cinco etapas que custará ao todo 231 milhões de reais e promete
mexer com a estrutura da feirinha em uma das etapas da urbanização.
Até o momento, as obras estão
atrasadas na atual gestão do prefeito Roberto Cláudio (Pros), que tinha um
prazo até março deste ano para entregar o novo Mercado dos Peixes, porém a obra
orçada em cinco milhões está com dificuldades de conclusão por causa dos
atrasos do repasse do Ministério do Turismo, segundo o secretário de Turismo de
Fortaleza, Salmito Filho, que ressaltou a previsão só no final de 2015, para as
demais etapas da Nova Beira Mar que estarão totalmente prontas.
Antes de chegar à construção da nova
Feira de Artesanato, a requalificação vai passar ainda pela construção do novo
Espigão/ Atracadouro, que será a segunda etapa dos trabalhos e hoje se encontra
apenas com a base de pedras pronta, faltando à urbanização da aérea.
Em novembro de 2013, o atual prefeito
de Fortaleza esteve em audiência no Ministério do Turismo em busca de recursos
para dar continuidade às obras da construção da nova Beira Mar. Os recursos
seriam para a construção do aterro hidráulico entre os espigões da Avenida Rui
Barbosa e Desembargador Moreira.
Na visita também houve a promessa de
recursos para segunda etapa de requalificação de corredores turísticos e a
requalificação da Avenida Vicente Castro, que liga os Bairros Meireles e
Serviluz, no entanto a única obra pronta até agora é a nova Avenida Monsenhor
Tabosa inaugurada em março deste ano e que fazia parte das obras da Copa do
Mundo.
Dificuldade
de locomoção no calçadão
Todo o dia é sempre assim centenas de
pessoas se aglomeram no calçadão para fazer caminhada, passear para conhecer as
atrações da noite, misturado isso aos skates, patins, bicicletas, vendedores de
água, lanche e vendedores de passeios. Naturalmente os esbarrões acontecem e
deixam as pessoas impacientes com essa situação. Com o projeto da Nova Beira
Mar, há uma previsão de áreas exclusivas para cada modalidade, como Bondes,
Pistas de Copper, Ciclistas e Esporte na Areia.
O projeto de arquitetura e urbanismo é assinado por Esdras Santos,
Fausto Nilo e Ricardo Muratori e tem ainda uma Praça do Náutico, com Espelho
d’água, Anfiteatro, banheiros, pracinha para comida e bebida, Skate Park, “Side
Pass” dos Bondes, além de uma oficina para pescadores.
Nova Feirinha
Expectativas e Sonhos
Com 652 permissionários cadastros,
segundo o Vice- presidente da Associação dos Feirantes da Beira-Mar (Asfaben),
Djalma Rios, os feirantes já estão garantidos quando houver a reforma e a
entrega da nova estrutura com Box e uma possível divisão por setores de
produtos. Para o dirigente da entidade esse ano foi atípico devido a Copa do
Mundo e a eleições que mexeu um pouco com a prioridade de gastos dos turistas.
“Todo ano de Copa e política junto é esperado a queda no comércio, o turista
que vem aos jogos não costuma comprar, pois é flutuante e como viaja por várias
cidades, deixa para comprar nos últimos jogos”.
Segundo dados da Secretaria de Turismo
do Ceará (Setur), 363 mil turistas visitaram o Ceará durante o período da Copa
do Mundo com gastos em média de R$2.650 por pessoa. Foram 169 turistas
estrangeiros, sendo 24,9% vindos do México e 17,13% da Alemanha. Destes
turistas 87% ficaram satisfeitos e podem voltar depois e 90% indicaram a
viagem.
A Nova Feirinha seria uma esperança
para a maioria das famílias que vivem ali daquele tipo de atividade. São
produtos feitos de artesanato em barro, bijuterias, biquínis, blusas
personalizadas, bolsas de madeiras, castanha de caju, mandalas, sabonetes
artesanais, vestido, etc, que precisam se modernizar para atender um cliente
mais exigente que vem de fora do Estado do Ceará e que além do produto que
compra também necessita de um ambiente capaz de lhe dar conforto.
O turista, Valdemir Trindade, 66, de
Manaus e auditor aposentado, garante que os preços dos produtos estão conforme
o preço de mercado e que os feirantes não exploram as pessoas que visitam a
Feira, para ele, seria muito bom uma nova estrutura que valorizasse ainda mais
os produtos. “Eu acho que a Nova Beira Mar ficará melhor, quando se separar,
por exemplo, a seção de castanha para um lado e roupa para outro”.
Mas a esperança que a cada dia se
renova, ainda parece distante devido aos atrasos da Prefeitura de Fortaleza.
Djalma alerta que houve uma reunião
sobre a nova Feirinha, mas devido o período eleitoral ocorreu uma paralisação do
dialogo com a Prefeitura. “A Prefeitura nos garantiu que tudo ficaria pronto em
2016 e estamos negociando como será o remanejamento provisório dos feirantes
enquanto se constrói a obra”, finalizou.
Confecção Foto: Carlos Emanuel
De chapéu na cabeça, calça social e camisas de botão listradas,
Francisco Moreira de Souza, 67, natural de Maranguape, vendedor da Feira de
Artesanato desde 1987 quando chegou a Fortaleza, depois de trabalhar por muitos
anos na roça, acredita que instalação de boxes será prejudicial ao seu trabalho
e dos colegas, pois ficará muito apertado segundo ele para atender bem o
cliente.
O comerciante vende confecção bordada,
que manda fazer por encomenda. Ele compra o tecido e recebe a peça pronta e revende
para os turistas, principalmente nordestino e mineiro. Outra dificuldade que
Francisco vê é o vendedor que estaciona o carro em frente ao calçadão e vende
seus produtos, sem pagar impostos, se transformando em um concorrente desleal,
já que os feirantes na zona das barracas todos pagam seus impostos junto a
Prefeitura.
O turismo em Fortaleza é semelhante à
de outras cidades do mundo, alterna os períodos em alta e baixa estação. Quando
chega aos meses da alta, em meados de dezembro e permanece até fim de janeiro,
o número de vendedores ambulantes e itinerantes, com seus produtos ali expostos
sem pagar seus impostos aumenta consideravelmente.
E sempre é assim, os carros ali
estacionados em frente ao Náutico Atlético Cearense, com suas bugigangas ficam
tomando conta do calçadão e como outros tipos de pessoas atrapalham o fluxo de
quem quer caminhar livremente sobre a orla de Fortaleza. A situação só muda
quando é anunciado que estão vindo os fiscais da Prefeitura e todos correm para
guardar a mercadoria e se escondem até os mesmos irem embora.
Saindo um pouco da zona hoteleira, as
feiras tomam conta dos bairros de Fortaleza, são em torno de 61 feiras livres
na capital alencarina. As mais tradicionais estão localizadas dentro de uma
estrutura organizada pela Prefeitura e separada por boxes, como é o caso do
Mercado Central, Mercado São Sebastião, Mercado dos Pinhões, etc.
Diversidades
de opções
Quem deseja algo mais ao ar livre são
diversas as opções, como a Feira do Mucuripe, do Bairro de Fátima, Feira do
Orgânico, etc.
Uma das mais conhecidas da cidade e
que funciona entre a madrugada de domingo para segunda e quarta para quinta é a
Feira da Jose Avelino que atrai sacoleiros de várias localidades do Brasil: São
Paulo, Maranhão, Pernambuco, Bahia, entre outros.
O forte desta feira é a venda de
confecções que abastece o mercado de roupas do interior do Ceará e de vários
outros estados vizinhos. É uma base informal de comércio e por isso olhos da Prefeitura estão atentos aos
produtos por lá vendidos, entre eles muitos falsificados.
Outra feira livre de destaque é a da
Messejana que ocorre com aos domingos e que comercializa de peças de
artesanatos a produtos industrializados, como laticínios e massas.


