E lá estava eu, com a mochila cheia de livros, voucher, folders,
tablet, camisa de trabalho, quando a alça da danada se quebra e eu fico
impossibilitado de andar de bicicleta, devido ao peso agora pender para o lado
direito e me querer derrubar.
Mas mesmo assim, devagarzinho eu fui com a mochila sobre o guidão
da bike e cheguei ao meu destino. Teve outro dia que essa maneira de guiar
estava me colocando em risco no transito e então, resolvi aumentar a alça da
mochila soltando um pouco mais de espaço e colocando sobre meu pescoço.
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| Mochila Foto: Carlos Emanuel |
Foi uma resolução meio estabanada, pois o peso caia para o lado
esquerdo e um ombro estava meio doido. Fiquei pensando, “Merda, como pode essa bolsa quebrar assim, logo quando a liseira está
grande?”
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| Mochila Foto: Carlos Emanuel |
E como eu iria comprar outra? Nem conseguia raciocinar direito,
mas essa mochila havia custado R$ 200,00, há mais ou menos um ano atrás e tinha
carregado muitas camisas, tênis, no meu percurso de casa, estágio, faculdade,
praia, casa da namorada, etc.
Essa parceira de sempre também tinha carregado camarão e peixe
dentro dela. Um dia, eu estava dentro do ônibus lotado indo para o estágio na
Assembleia Legislativa, quando ia passando, ouvia as piadas das pessoas: “Sai de casa e trás a mala nas costas...”.
Um dia entrei em uma dessas lojas de roupas e vi de longe uma
mochila que custava R$ 50,00, mas pensei que não valia muito à pena, pois já
havia passado por experiência semelhante de bolsas se rasgarem misteriosamente
em menos de um mês de uso.
Na verdade eu poderia ter jogado essa minha mochila fora e ter
passado o cartão e comprado uma novíssima, mas os tempos eram outros. A
escassez da grana era sintomática e eu estava sobrevivendo dia-a-dia com o
dinheiro da venda de passeios turísticos. E uma vez alguém me disse para me
ajeitar a alça e eu nem pensava nessa possibilidade. Meu pai, disse que eu
fosse ao Centro da cidade e consertasse por lá, mas eu teimei que aqui no meu
bairro tinha essa possibilidade, mas na verdade eu acabei indo numa loja de
conserto de coisas usadas.
Era uma oficina, que tinha um atendente que tirava sua Ordem de
Serviço (OS) a partir do valor que você acertava diretamente com o homem que
conserta mochilas. Eu deixei a minha mochila lá e coloquei toda a minha bagagem
dentro de sacos e depois na minha irmã peguei umas sacolas mais “xiques”.
Quando chegou o dia e eu fui lá e peguei a mochila, percebi que
fiz um maravilhoso negócio e que não se podem jogar as coisas foras assim do
nada, algumas vezes elas têm conserto e podemos reutilizá-las.
Foi o caso da TV, que também deu defeito e eu gastei R$ 80,00
reais e trouxe-a de volta para minha casa. O conserto da mochila foi apenas R$
20,00 e com certeza valeu muito apena.
O valor que muitas vezes esnobamos quando estamos com bastante
grana e por cima da carne seca é recuperado, quando a gente se ver diante de
apertos financeiros.
Hoje eu estava em casa deitado, sem um puto no bolso e me despedi
da minha namorada e a filha dela que estava aqui em casa e fui para praia e
consegui trazer a recompensa novamente. Com as vendas de passeios turísticos eu
garanti uma semana menos apertada.
Muitas vezes eu chegava à Assembleia na sala de redação com
sacolas na mão e ninguém imaginava que eu não tinha um centavo para consertar a
mochila e nem comprar uma nova. Poucas pessoas sabiam da real situação que eu
me encontrava, Mas o importante de tudo é que eu não esmoreci e fui em frente e
consegui conserta a mochila e sem que tenha outras coisas na minha vida que
precisam de consertos também.


