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quinta-feira, 12 de maio de 2016

We Are Legion: Não há nada ainda que seja perpétuo

Quando um dia eu vi gente mascarada protestando contra a política no Brasil em 2013, eu comentei que a gente tinha que mostrar a cara e não se esconder atrás de uma fantasia. Mas eu errei naquela avaliação, pois talvez o uso de algo para cobrir seu rosto é uma forma de proteção contra autoridades espúrias que tentam controlar, os movimentos contrários a eles. Seja qualquer autoridade de governo, ou mesmo empresas privadas, religiosas, esportivas e aquelas que pregam ódios contra gênero, sexualidade, cor, etc.
O 4chan que surgiu como uma forma de privacidade para um grupo que queria postar coisas interessantes sem ser importunado por ninguém mostra um pouco do surgimento do movimento de memes, de trolagens, que hoje vemos em programas como Pânico na Band, CQC, Legendários da Record.
Na verdade surge do movimento de hackers, que tem um desejo de quebrar a estrutura como está. Os ativistas digitais, que na plataforma do 4chan estavam brincando com um conceito de anonymous viram que sites pelo mundo estavam com idéias muitas vezes preconceituosas e segregadoras e assim esse grupo tratou logo de mandar um recado para essas organizações tirando temporariamente suas páginas do ar.

Esse movimento que foi se expandido até chegar a ajudar a derrubada de governos ditatoriais, como no caso da Tunísia, Egito, entre outros.
Sem liderança única, o Anonymous passou a se manifestar ofline e questionar as estruturas de poder, mas com o FBI de olho e com processos e ameaças de prisões o grupo inicial acabou sendo desestruturado e vieram vertentes deles como Lulzsec, que ia além de apenas tirar as páginas do ar, eles invadiam a privacidade total de empresas e governos desvirtuando os princípios originais da causa.
Esse documentário de 2012 e que vi hoje (12/05) na Netflix me trás um pouco do que acontece no Brasil, no momento que a presidenta Dilma Roussef é afastada do mandato por até 180 dias, por uma manobra comandada pelo vice-presidente Michel Temer que assume, o cargo interinamente, enquanto o Senado Federal julga o caso.
O Julian Assange do Wikileaks e Edward Snowder (ex-cia) já alertavam para espionagem que o Brasil sofria pelos EUA com interesse no nosso pré-sal é claro e com tudo que aconteceu nos dois últimos anos fica claro, com ajuda de quem a oposição e os antigos aliados da presidenta conseguiram perpetuar o golpe.
Mudar o mundo é um ideal quase utópico mesmo com o uso de recursos ilimitados como a internet, a criptografia, a legião (pessoas sem revelar suas identidades). Até porque sempre o governo acaba descobrindo mais sobre os membros e as penas são pesadas sobre aqueles que atentam contra o poder.
Deixando bem claro que está como presidenta, no caso da Dilma não dava a ela todo o poder, pois o grande capital, as grandes corporações, a elite paulista e parte orgânica da Polícia Federal não estava ligada as idéias do governo do PT.
Ou seja, para comandar de verdade uma nação são necessárias as reformas estruturantes e a conscientização das massas sobre seu papel diante da transformação social. Agora sem uma imprensa livre, como vemos o monopólio da Globo, Veja e companhia é impossível fazer um governo voltado para os mais carentes.]
Lula sempre foi alvo por fazer os programas sociais e acesso ao ensino superior e tentar mudar um pouco a estrutura hierárquica de poder no Brasil. Mas foi engolido pelos que permitiram que ele fosse presidente.
Não podemos negar a importância das redes sócias, como plataforma de liberdade de falar e de contestação, por isso enquanto ainda não vem leis controladoras para tentar minar o nosso direito de falar, seguimos livres para expressar o que pensamos, não defendendo apenas uma bandeira de luta, mas sempre sendo contrária a opressão de qualquer espécie.

Como jornalista, eu só posso contribuir com a minha opinião, sem, contudo querer ser o dono da verdade, mas falo e você pode discordar normalmente é um direito que lhe cabe como internauta. 

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

A morte dos cartunistas do Charlie Hebdo pede reflexão de todos os lados

Quando soube da morte de cartunistas ontem (07/01), em Paris na sede do jornal satírico Charlie Hebdo, alvo de terroristas de grupos islâmicos radicais ofendidos pelas publicações humorísticas sobre Maomé e os muçulmanos, de cara me lembrei do nosso jeito de fazer humor no Brasil e maneira como a liberdade aqui é garantida e se pode livremente fazer criticas sem ser cerceado.

            Existe uma diferença clara em fazer traços polêmicos criticando com bom humor a corrupção na política, as brigas no futebol, ou as gafes das celebridades, do que alguns supostos comediantes da estirpe de Danilo Gentili, entre outros que fazem uma perseguição apenas a um lado da sociedade e fazem vista grossa a outra parte.

A vida sem sorrisos não tem a mínima graça e por ser de uma cidade que tem a veia cômica como Fortaleza, onde tudo é motivo para brincar fiquei chocado com a morte de pessoas tão talentosas e que estavam fazendo uma função simples, como era a missão de Charlie Hebdo dirigida pelo cartunista Stéphane Charbonnier e com nomes como Jean Cabut, Georges Wolinski, Bernard Velhac, que deixaram seguidores no Brasil do porte de Ziraldo, Cival Einsten, Laerte, entre outros.
            Aqui no Ceará os humoristas, usam personagens e através deles fazem as pessoas sorrirem e esquecerem os problemas do dia a dia. No Brasil programas como CQC, Pânico, Nas Garras das Patrulhas fazem piadas com todo tipo de figuras, seja políticos como Bolsonaro, Lula, Dilma, até artistas famosos como Regina Casé, Ivete Sangalo. Alguns levam numa boa, mas outros se aborrecem dessa espécie de bullyg.
            O lamentável na morte desses colegas de profissão é que cada vez mais a informação fica limitada e as pessoas ficam com medo de dizer o que pensam. Eu acho que esse tipo de situação acontece por causa muito da cobertura que a imprensa em boa parte do mundo dar aos movimentos seja de esquerda, muçulmanos, dentre outros, sempre tratando esse grupo como algo perigoso, mas sem muitas vezes dar voz para que eles possam mostrar a beleza das suas realidades.
            O atentado foi um erro e não resolve o problema, pois ninguém pode impedir que as publicações se manifestem como desejam, porém fica o questionamento, até onde vai esse limite entre discutir uma situação por meio da sátira e ofender princípios e valores de uma cultura.

Quando vi recentemente pela internet o filme a Entrevista, onde mostra um repórter e um produtor em busca de entrevistar Kim Jong-Un líder supremo na Coréia do Norte e que tem a missão dada pela CIA de matá-lo, percebi que o diretor queria mostrar uma nação comunista onde tudo é uma farsa e que a população vive em sofrimento constante.

Talvez seja certo ver uma película dessas pelo lado humorístico e até gostei dele por esse lado, mas a pergunta é: Será que realmente é como tem no filme e Kim é um chefe ruim para seu povo? São certos tipos de “brincadeiras” que por mais que sejam apenas um lado da história irritam aqueles que não têm senso de humor.
            São esses radicais seja da religião, da política, ou do futebol que tomam a briga para si e partem para a violência física que de certa forma é a raiva reprimida por cada grupo atingido. Ai fica aquela questão. Como é uma responsabilidade grande ter um veículo de comunicação nas mãos e saber usá-lo com inteligência.
            Vi o Renato Aragão citando ontem em uma entrevista que antes os gays, negros e mulheres não se ofendiam com brincadeiras tiradas com eles. Realmente hoje o mundo está numa de politicamente correto, porém vejo que apenas as pessoas cansaram de serem humilhadas e agora tem mais direito e garantias na sociedade mundial atual.
Mais uma vez ficar triste e de luto pelos irmãos franceses mortos nesse cala boca de redes terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico que ano passado já degolaram jornalistas por uma ideologia deles e que ninguém é obrigado a aceitar.

Estou de luto, como jornalista e como cidadão que defendo a tolerância entre os diferentes. Eu sou Charlie e estou do lado do diálogo.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

CQC quem gosta continua vendo



Quem critica esse programa se esquece de que ele tem um papel importante na grande mídia, se usar da critica a política como uma forma de crescer a sua própria audiência. Homens de gravata, terno e com um ar contestador, assim são os homens de preto da Band que revolucionaram a forma de fazer reportagem com humor falando de temas sérios. 

            Por um breve momento o programa parecia ser a voz que faria o diferencial em termos de fugir do padrão enlatado de fazer jornalismo, porém o tempo foi passando e se viu que apenas parecia ser o que nunca foi. Mas repito criticar é fácil, pois você achava que aquilo era jornalismo e fica frustrado ao saber que é humor em formato de seriedade. Vivemos uma democracia e com ela a liberdade de expressão para falar o que der na telha. 


            O problema na verdade é outro, é a turma de Marcelo Tas querer usar dos espaços para a discussão pública e fazer com que vire algo ridículo, um show particular, coisa que o jornalista que chega cedo, ao caso da coletiva de imprensa da Hilary Clinton preparado com uma pauta e um tempo para concluir sua matéria não aceita atitudes como ao que o CQC teve ao levar uma máscara para a chefa de Defesa Americana. 
 
Outros programas como Legendários, Pânico na TV, Nas Garras da Patrulha, como tem um caráter mais informal podem se usar do humor escrachado, sem correr o risco de parecerem idiotas, pois já são "bobos" por natureza. Quando fazem alguma denuncia seria ficarmos até espantados com a variação que acontece.

            O Brasil já vem tentando há muito tempo fazer programas de denuncia que não caiam no clichê de programa policial. Quem não se lembra do famoso Aqui Agora no SBT, que tinha repórteres como Gil Gomes, Celso Russomano e que virou escola para outros programas espalhados pelo Brasil como Barra Pesada, Cidade 190, Rota 22. Ai nesses programas tem o que lançou o Ratinho lá no Paraná na GNT com o apresentador com um cassetete parecido com um rolo de fumo dando pancada na mesa e criticando a violência.

Hoje quem domina esse tipo de programa é o Datena. Mas também é utilizado o mesmo recurso em programas como do Gugu, Luciano Huck, mexendo com os sentimentos das pessoas em troca de prender a audiência.

            O Problema eu acho que é estrutural, pois enquanto tiver um sistema como o nosso que privilegie o monopólio da informação, fica difícil apresentar um produto que fuja dos padrões midiáticos.