Quando soube da morte de cartunistas ontem (07/01), em Paris na
sede do jornal satírico Charlie Hebdo, alvo de terroristas de grupos islâmicos
radicais ofendidos pelas publicações humorísticas sobre Maomé e os muçulmanos,
de cara me lembrei do nosso jeito de fazer humor no Brasil e maneira como
a liberdade aqui é garantida e se pode livremente fazer criticas sem ser
cerceado.
Existe uma
diferença clara em fazer traços polêmicos criticando com bom humor a corrupção
na política, as brigas no futebol, ou as gafes das celebridades, do que alguns
supostos comediantes da estirpe de Danilo Gentili, entre outros que fazem uma
perseguição apenas a um lado da sociedade e fazem vista grossa a outra parte.
A vida sem sorrisos não tem a mínima graça e por ser de uma cidade
que tem a veia cômica como Fortaleza, onde tudo é motivo para brincar fiquei
chocado com a morte de pessoas tão talentosas e que estavam fazendo uma função
simples, como era a missão de Charlie Hebdo dirigida pelo cartunista Stéphane
Charbonnier e com nomes como Jean Cabut, Georges Wolinski, Bernard Velhac, que
deixaram seguidores no Brasil do porte de Ziraldo, Cival Einsten, Laerte, entre
outros.
Aqui no Ceará os
humoristas, usam personagens e através deles fazem as pessoas sorrirem e
esquecerem os problemas do dia a dia. No Brasil programas como CQC, Pânico, Nas
Garras das Patrulhas fazem piadas com todo tipo de figuras, seja políticos como
Bolsonaro, Lula, Dilma, até artistas famosos como Regina Casé, Ivete Sangalo.
Alguns levam numa boa, mas outros se aborrecem dessa espécie de bullyg.
O lamentável na
morte desses colegas de profissão é que cada vez mais a informação fica
limitada e as pessoas ficam com medo de dizer o que pensam. Eu acho que esse
tipo de situação acontece por causa muito da cobertura que a imprensa em boa
parte do mundo dar aos movimentos seja de esquerda, muçulmanos, dentre outros,
sempre tratando esse grupo como algo perigoso, mas sem muitas vezes dar voz
para que eles possam mostrar a beleza das suas realidades.
O atentado foi um
erro e não resolve o problema, pois ninguém pode impedir que as publicações se
manifestem como desejam, porém fica o questionamento, até onde vai esse limite
entre discutir uma situação por meio da sátira e ofender princípios e valores
de uma cultura.
Quando vi recentemente pela internet o filme a Entrevista, onde
mostra um repórter e um produtor em busca de entrevistar Kim Jong-Un líder
supremo na Coréia do Norte e que tem a missão dada pela CIA de matá-lo, percebi
que o diretor queria mostrar uma nação comunista onde tudo é uma farsa e que a
população vive em sofrimento constante.
Talvez seja certo ver uma película dessas pelo lado humorístico e
até gostei dele por esse lado, mas a pergunta é: Será que realmente é como tem
no filme e Kim é um chefe ruim para seu povo? São certos tipos de
“brincadeiras” que por mais que sejam apenas um lado da história irritam
aqueles que não têm senso de humor.
São esses
radicais seja da religião, da política, ou do futebol que tomam a briga para si
e partem para a violência física que de certa forma é a raiva reprimida por
cada grupo atingido. Ai fica aquela questão. Como é uma responsabilidade grande
ter um veículo de comunicação nas mãos e saber usá-lo com inteligência.
Vi o Renato
Aragão citando ontem em uma entrevista que antes os gays, negros e mulheres não
se ofendiam com brincadeiras tiradas com eles. Realmente hoje o mundo está numa
de politicamente correto, porém vejo que apenas as pessoas cansaram de serem
humilhadas e agora tem mais direito e garantias na sociedade mundial atual.
Mais uma vez ficar triste e de luto pelos irmãos franceses mortos
nesse cala boca de redes terroristas como Al Qaeda e Estado Islâmico que ano
passado já degolaram jornalistas por uma ideologia deles e que ninguém é
obrigado a aceitar.


Nenhum comentário:
Postar um comentário