Natural de Crateús, dos anos 1970, de duas
famílias conhecidas de comerciantes e pecuaristas, “Machado” e “Carneiro”. Railson Machado Batista enfrentou a
seca, teve paciência para aprender em vários empregos, desde cuidar de
estacionamento, a ser motorista e vigilante. Mas o sonho em sua mente, o levou
a empreender e construir uma história de sucesso no ramo de bares e restaurantes.
Consciente de seu papel de empregador, de empresário, enfrentando altas cargas
de impostos, o amor as pessoas e ao que faz o tornou, quem hoje ele é, um “homem
de família”, sem perder o gosto musical de suas raízes. Esse é o entrevistado
da vez, no nosso blogger e podcast.
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| Carlos Emanuel (a esquerda), Railson do Bar (a direita) |
Carlos
Emanuel: Todos temos um história para contar, fale um pouco da sua trajetória.
Railson
do Bar: Na minha infância, na fazenda Vitor, onde eu cheguei aos sete anos,
com cinco irmãs. Quatro formadas: uma em Terapia Ocupacional, uma em Direito,
outra em Engenharia Agrônoma e uma servidora pública.
Já cuidando da fazenda do meu pai, nos oanos
difíceis de 1980, de seca. Eu estudava a 5 km de onde morava e ia e vinha de
bicicleta, onde levava uma amiga na garupa. A Régia, atualmente esposa do Romeu
Veículos. Íamos ao Colégio Gaspar Dutra, depois estudei no Olavo Bilac (do
exercito) e Rogério Passos na Praça dos Pirulitos, no Centro de Crateús.
Não quis prestar vestibular, quis virar
comerciante e fui para o município de Novo Oriente, aonde cheguei a ser dono de
deposito de bebida e de um bar em Crateús, na Rua Firmino Rosa, no Centro,
perto da Catedral.
Com seis meses não deu certo. Foi quando
recebi um convite de um primo meu e fui para Taguatinga (DF), ser sócio dele em
um estacionamento. Ele me deu 30% da sociedade. Consegui ganhar dinheiro e
voltar para fazenda do pai e comprar gado. Mas a seca voltou e preferi voltar
para Fortaleza.
Carlos
Emanuel: Você enfrentou barreiras no início, o que levaram a amadurecer.
Mas quando veio a possibilidade de começar no que você realmente gosta?
Railson
do Bar: Fui ser motorista de um coronel do exercito chamado José Walter, que
tinha uma fazenda no baixo Acaraú, em Marco. Em seguida a fazenda fechou e
voltei a Fortaleza e fui trabalhar num emprego que o Paulo Mourão da Policia
Federal me arrumou de vigilante. Ai eu fiz curso. Com seis meses de trabalho no
Aeroporto e depois BR-116, tive uma ideia com minha esposa. Queirilane Menezes de colocarmos um
restaurante em 2003.
Falei com minha irmã, Dra Rosilda. Ela foi
ao banco e fez um empréstimo de 3 mil reais.
Era o meu destino. No começo no interior
aquele primeiro bar vinha muitos amigos, mas em vez de ajudar dava era
prejuízo.
No tempo de segurança, onde trabalhava por
necessidade, fiquei noites acordadas refletindo a vida. Sempre tive essa
vontade de ter bares e restaurantes.
Minha esposa tinha 19 anos no começo. Minha
irmã pegou esse dinheiro e eu tinha que pagar todo mês a parcela e também o
aluguel do ponto, lá no Bar do Railson, Rua Felino Barroso, n° 376, Bairro de
Fátima.
Aos poucos o projeto foi se ramificando. No
começo foi mantido só pela frequência de amigos. Tinha até um deles que tinha
mais amigos do que eu e trouxe bastante gente. Pessoas de Crateús que fazia
faculdade por aqui.
Eu atendia as mesas e minha esposa na
cozinha. Eu era garçom, ficava também na churrasqueira. O cliente chegava e eu
colocava a mesa. Era tanta gente vindo que às vezes eu não tinha nem estrutura
adequada para recebê-los.
Carlos
Emanuel: Como você montava o menu? Qual a referência que lhe levava a
preparar determinado prato?
Railson
do Bar: O cardápio inicial era uma cerveja gelada, feijão verde, mão de
vaca, macaxeira e nós íamos mudando o menu de acordo com o que a demanda pedia.
Ai foi passando 2004, 2005 e 2006 e já tínhamos um cardápio variado de
petiscos.
Carlos
Emanuel: Todo o
negócio que cresce precisa de colaboradores, quais foram os primeiros funcionários?
Railson
do Bar: Foi no ano de 2005 que contratamos o primeiro funcionário; o
Walter, um garçom e depois a Jô e a Silvinha na cozinha.
Carlos
Emanuel: Deste
primeiro negócio veio a ideia de criar um estabelecimento que fosse mais
adequado a família. Foi ai que surgiu o Picanha do Railson?
Railson
do Bar: Em 2007 a cliente-lá jovem que frequentava o Bar do Railson,
começou a levar também os pais, mães, tios. Eles queriam saber, onde estava o
filho e vinha o comentário: “Tá lá no
Railson do Bairro de Fátima”. O pessoal de idade começou a frequentar mais
lá. Porém era um estilo mais jovem.
Foi onde surgiu a ideia de fazer o Picanha
do Railson, em 28 de outubro de 2008, na Rua Felino Barroso. Comprei uma casa e
organizei de acordo como manda a lei municipal.
O Bar do Railson fez 15 anos, o Picanha do
Railson tem 11 anos.
Carlos
Emanuel: E sua mídia quem faz a divulgação do seu nome?
Railson
do Bar:Aqui tivemos
várias parcerias no Bar do Railson Fátima. Toda a mídia foi o forró que levou
para ser conhecida. Xandy Avião, Zé
Cantor, Wesley Safadão e Samyra Show.
Na Picanha do Railson, a mídia é
rádio, outdoors, futebol, um público bem família.
Carlos
Emanuel: Então que
dizer que você tem uma preferência musical pelo forró?
Railson
do Bar: Sempre fui ligado ao forró. bem jovem ia muito a vaquejada, Mastruz
com Leite, João Bandeira. Aqui em Fortaleza ia muito ao Brisa do Lago, Cajueiro
Drinks, Cantinho do Céu. Tornei-me parceiro da A3.
Mas hoje vejo que o Forró perdeu muito a
essência. A minha preocupação é alavancar essa música. O forró é o raiz, da
época que a gente brincava ouvindo Limão com Mel, tempos do empresário Emanuel Gurgel. O sertanejo teve uma
crescente, mas o público começa a querer voltar às origens, do forró das
antigas.
O mercado começa a sentir falta do forró
raiz. Daquela letra, daquela música. E lugares como Kangalha e Danadinho.
Aquelas alegrias que tinhamos antes. Era igual para todo mundo, não tinha
separação de espaços. Foi ai que o forró errou ficando mais vaidoso, mais caro.
Chegou um ponto de nem todo mundo poder pagar o ingresso para um show,
dependendo do local R$ 300,00, R$ 400,00. Acho um absurdo.
Carlos
Emanuel: Qual segredo do sucesso?
Railson
do Bar: O segredo de
tudo é fé em Deus, depois vem à perseverança em si e acreditar, ter parceiros
com você. A cliente-lá passa a ser fiel quando vem e encontra o que ela está
procurando. O segredo é fazer com amor, o que gosta.
Eu digo muito para quem faz bar é para quem
gosta. Tem que gostar da noite, tem que gostar de gente, amar o cliente. Tem que se sentir feliz com a casa cheia e
não achar que tem gente dando problema no ponto. Faz parte.
Um que vem para extrapolar, para ser feliz,
uns bebe e fica triste. Temos que administrar tudo isso, a gente se torna até
um psicólogo.
Sempre tive carinho com o público, o
cliente é o principal patrimônio de um estabelecimento. Sem cliente somos como
uma igreja sem fiel.
Carlos
Emanuel: E a situação política tem
ajudado ou atrapalhado?
Railson
do Bar: Hoje o Brasil para se tornar empreendedor é muito difícil. Temos
que “matar dois leões por dia e deixar dois prontos para o dia seguinte”. Para
haver mudança tem que ter uma mudança política. Nessa crise de 3 a 4 anos,
agora que vemos um pouco a luz no fim do túnel.
Tem que mudar as leis trabalhistas que
favorecem quem não quer trabalhar. Não estou sendo radical. O trabalhador tem
que ser respeitado, mas se a gente ganha bem paga tudo.
Qualquer amigo meu empresário que fala
disso, diz que o que mata é a alta carga tributária. Receita bruta cara. Você
tem que botar margem em cima. Estamos numa concorrência desenfreada. O cara do
espetinho concorre comigo. Canso de ver cliente meu que frequentava
assiduamente a minha “casa” comendo baião com espetinho na rua. Isso tem nos
prejudicado muito.
Temos como empreendedores a esperança de um
Brasil melhor. Que possa ajudar na questão de segurança, que tem atrapalhado
nossos negócios, nós que trabalhamos na noite. Hoje temos que pagar um valor
altíssimo, para colocar uma segurança dentro do estabelecimento que não é obrigação
nossa, mas dever do Estado. Assim só temos mais despesas.
Carlos
Emanuel: Você tem muitas famílias dependendo do seu empreendimento como
manter isso tudo?
Railson
do Bar: Peço aos deputados, prefeito,
presidente da Republica que olhe para o setor privado, porque é ele quem emprega.
Comecei do zero e hoje tenho 60 funcionários. Temos um cozinha mantendo com
dois turnos no Picanha do Railson e três turnos, no Bar do Railson Fátima. Tem
várias equipes de garçons, seguranças, funcionários diretos e indiretos. Temos
as bandas que tocam para nós. Fazemos a roda de favorecimento do emprego. A
gente se torna feliz com a possibilidade de empregar pessoas, mas não temos
reconhecimento do governo. Temos funcionários de oito a de anos trabalhando com
a gente.
Carlos
Emanuel: Primeiro
veio o Bar do Railson Fátima, para os jovens, Picanha do Railson, para as famílias
e agora o Bar do Railson Aldeota. Qual o público principal deste último?
Railson
do Bar: Bar do Railson Aldeota na Rua Silvia Paulet é um ponto que gosto é
bem produtivo, de qualidade, era o ideal que procurei. Um dia fui sozinho lá
analisar, no outro dia levei minha esposa. Local onde podemos alcançar o
público do happy hour, público que vai cedo. Lá tem música sertaneja, forró
acústico. Tem um ano e 10 meses, mas está alcançando a expectativa. Ele alcança
o público de pessoas que saem das empresas. Turmas que chegam de cinco, seis,
dez, 15 para fazer a “hora feliz”. Lá não funciona até tarde; Do Bar eles saem
para festas em clubes e outros locais.
Carlos
Emanuel: E suas família?
Railson
do Bar: Sou pai de três filhos, tenho a Raissa de um relacionamento em
Crateús, antes da esposa atual, ela tem 23 anos e me deu até um neto. Da
Queirilane são dois filhos, Railson Filho, 9 anos, Aline tem 13 anos. Vivo
dedicado a família. Gosto de levar meus filhos ao colégio. Fazer coisas de
paizão, de botar para dormir, assistir filmes juntos. De ir ao shopping. Hoje
cuido bem da família.
Tem hora que não temos tempo, mas
administramos, eu, o Picanha, a minha esposa o Bar do Railson Fátima e temos
um gerente do Bar do Railson Aldeota, que conto com ele para dar conta do
recado.















