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sábado, 2 de novembro de 2019

Railson Machado Batista, uma história de sucesso


    
     Natural de Crateús, dos anos 1970, de duas famílias conhecidas de comerciantes e pecuaristas, “Machado” e “Carneiro”. Railson Machado Batista enfrentou a seca, teve paciência para aprender em vários empregos, desde cuidar de estacionamento, a ser motorista e vigilante. Mas o sonho em sua mente, o levou a empreender e construir uma história de sucesso no ramo de bares e restaurantes. Consciente de seu papel de empregador, de empresário, enfrentando altas cargas de impostos, o amor as pessoas e ao que faz o tornou, quem hoje ele é, um “homem de família”, sem perder o gosto musical de suas raízes. Esse é o entrevistado da vez, no nosso blogger e podcast.
Carlos Emanuel (a esquerda), Railson do Bar (a direita)


     Carlos Emanuel: Todos temos um história para contar, fale um pouco da sua trajetória.
     Railson do Bar: Na minha infância, na fazenda Vitor, onde eu cheguei aos sete anos, com cinco irmãs. Quatro formadas: uma em Terapia Ocupacional, uma em Direito, outra em Engenharia Agrônoma e uma servidora pública.
     Já cuidando da fazenda do meu pai, nos oanos difíceis de 1980, de seca. Eu estudava a 5 km de onde morava e ia e vinha de bicicleta, onde levava uma amiga na garupa. A Régia, atualmente esposa do Romeu Veículos. Íamos ao Colégio Gaspar Dutra, depois estudei no Olavo Bilac (do exercito) e Rogério Passos na Praça dos Pirulitos, no Centro de Crateús.
     Não quis prestar vestibular, quis virar comerciante e fui para o município de Novo Oriente, aonde cheguei a ser dono de deposito de bebida e de um bar em Crateús, na Rua Firmino Rosa, no Centro, perto da Catedral.
     Com seis meses não deu certo. Foi quando recebi um convite de um primo meu e fui para Taguatinga (DF), ser sócio dele em um estacionamento. Ele me deu 30% da sociedade. Consegui ganhar dinheiro e voltar para fazenda do pai e comprar gado. Mas a seca voltou e preferi voltar para Fortaleza.
     Carlos Emanuel: Você enfrentou barreiras no início, o que levaram a amadurecer. Mas quando veio a possibilidade de começar no que você realmente gosta?
     Railson do Bar: Fui ser motorista de um coronel do exercito chamado José Walter, que tinha uma fazenda no baixo Acaraú, em Marco. Em seguida a fazenda fechou e voltei a Fortaleza e fui trabalhar num emprego que o Paulo Mourão da Policia Federal me arrumou de vigilante. Ai eu fiz curso. Com seis meses de trabalho no Aeroporto e depois BR-116, tive uma ideia com minha esposa. Queirilane Menezes de colocarmos um restaurante em 2003.
     Falei com minha irmã, Dra Rosilda. Ela foi ao banco e fez um empréstimo de 3 mil reais.
     Era o meu destino. No começo no interior aquele primeiro bar vinha muitos amigos, mas em vez de ajudar dava era prejuízo.
     No tempo de segurança, onde trabalhava por necessidade, fiquei noites acordadas refletindo a vida. Sempre tive essa vontade de ter bares e restaurantes.
     Minha esposa tinha 19 anos no começo. Minha irmã pegou esse dinheiro e eu tinha que pagar todo mês a parcela e também o aluguel do ponto, lá no Bar do Railson, Rua Felino Barroso, n° 376, Bairro de Fátima.
     Aos poucos o projeto foi se ramificando. No começo foi mantido só pela frequência de amigos. Tinha até um deles que tinha mais amigos do que eu e trouxe bastante gente. Pessoas de Crateús que fazia faculdade por aqui.
     Eu atendia as mesas e minha esposa na cozinha. Eu era garçom, ficava também na churrasqueira. O cliente chegava e eu colocava a mesa. Era tanta gente vindo que às vezes eu não tinha nem estrutura adequada para recebê-los.
     Carlos Emanuel: Como você montava o menu? Qual a referência que lhe levava a preparar determinado prato?
     Railson do Bar: O cardápio inicial era uma cerveja gelada, feijão verde, mão de vaca, macaxeira e nós íamos mudando o menu de acordo com o que a demanda pedia. Ai foi passando 2004, 2005 e 2006 e já tínhamos um cardápio variado de petiscos.
     Carlos Emanuel: Todo o negócio que cresce precisa de colaboradores, quais foram os primeiros funcionários?
     Railson do Bar: Foi no ano de 2005 que contratamos o primeiro funcionário; o Walter, um garçom e depois a Jô e a Silvinha na cozinha.
     Carlos Emanuel: Deste primeiro negócio veio a ideia de criar um estabelecimento que fosse mais adequado a família. Foi ai que surgiu o Picanha do Railson?
     Railson do Bar: Em 2007 a cliente-lá jovem que frequentava o Bar do Railson, começou a levar também os pais, mães, tios. Eles queriam saber, onde estava o filho e vinha o comentário: “Tá lá no Railson do Bairro de Fátima”. O pessoal de idade começou a frequentar mais lá. Porém era um estilo mais jovem.
     Foi onde surgiu a ideia de fazer o Picanha do Railson, em 28 de outubro de 2008, na Rua Felino Barroso. Comprei uma casa e organizei de acordo como manda a lei municipal.
     O Bar do Railson fez 15 anos, o Picanha do Railson tem 11 anos.
     Carlos Emanuel: E sua mídia quem faz a divulgação do seu nome?
     Railson do Bar:Aqui tivemos várias parcerias no Bar do Railson Fátima. Toda a mídia foi o forró que levou para ser conhecida. Xandy Avião, Zé Cantor, Wesley Safadão e Samyra Show.
     Na Picanha do Railson, a mídia é rádio, outdoors, futebol, um público bem família.
     Carlos Emanuel: Então que dizer que você tem uma preferência musical pelo forró?
     Railson do Bar: Sempre fui ligado ao forró. bem jovem ia muito a vaquejada, Mastruz com Leite, João Bandeira. Aqui em Fortaleza ia muito ao Brisa do Lago, Cajueiro Drinks, Cantinho do Céu. Tornei-me parceiro da A3.
     Mas hoje vejo que o Forró perdeu muito a essência. A minha preocupação é alavancar essa música. O forró é o raiz, da época que a gente brincava ouvindo Limão com Mel, tempos do empresário Emanuel Gurgel. O sertanejo teve uma crescente, mas o público começa a querer voltar às origens, do forró das antigas.
     O mercado começa a sentir falta do forró raiz. Daquela letra, daquela música. E lugares como Kangalha e Danadinho. Aquelas alegrias que tinhamos antes. Era igual para todo mundo, não tinha separação de espaços. Foi ai que o forró errou ficando mais vaidoso, mais caro. Chegou um ponto de nem todo mundo poder pagar o ingresso para um show, dependendo do local R$ 300,00, R$ 400,00. Acho um absurdo.
     Carlos Emanuel: Qual segredo do sucesso?
     Railson do Bar: O segredo de tudo é fé em Deus, depois vem à perseverança em si e acreditar, ter parceiros com você. A cliente-lá passa a ser fiel quando vem e encontra o que ela está procurando. O segredo é fazer com amor, o que gosta.
     Eu digo muito para quem faz bar é para quem gosta. Tem que gostar da noite, tem que gostar de gente, amar o cliente.  Tem que se sentir feliz com a casa cheia e não achar que tem gente dando problema no ponto. Faz parte.
     Um que vem para extrapolar, para ser feliz, uns bebe e fica triste. Temos que administrar tudo isso, a gente se torna até um psicólogo.
     Sempre tive carinho com o público, o cliente é o principal patrimônio de um estabelecimento. Sem cliente somos como uma igreja sem fiel.
     Carlos Emanuel:  E a situação política tem ajudado ou atrapalhado?
     Railson do Bar: Hoje o Brasil para se tornar empreendedor é muito difícil. Temos que “matar dois leões por dia e deixar dois prontos para o dia seguinte”. Para haver mudança tem que ter uma mudança política. Nessa crise de 3 a 4 anos, agora que vemos um pouco a luz no fim do túnel.
     Tem que mudar as leis trabalhistas que favorecem quem não quer trabalhar. Não estou sendo radical. O trabalhador tem que ser respeitado, mas se a gente ganha bem paga tudo.
     Qualquer amigo meu empresário que fala disso, diz que o que mata é a alta carga tributária. Receita bruta cara. Você tem que botar margem em cima. Estamos numa concorrência desenfreada. O cara do espetinho concorre comigo. Canso de ver cliente meu que frequentava assiduamente a minha “casa” comendo baião com espetinho na rua. Isso tem nos prejudicado muito.
     Temos como empreendedores a esperança de um Brasil melhor. Que possa ajudar na questão de segurança, que tem atrapalhado nossos negócios, nós que trabalhamos na noite. Hoje temos que pagar um valor altíssimo, para colocar uma segurança dentro do estabelecimento que não é obrigação nossa, mas dever do Estado. Assim só temos mais despesas.
     Carlos Emanuel: Você tem muitas famílias dependendo do seu empreendimento como manter isso tudo?
     Railson do Bar:  Peço aos deputados, prefeito, presidente da Republica que olhe para o setor privado, porque é ele quem emprega. Comecei do zero e hoje tenho 60 funcionários. Temos um cozinha mantendo com dois turnos no Picanha do Railson e três turnos, no Bar do Railson Fátima. Tem várias equipes de garçons, seguranças, funcionários diretos e indiretos. Temos as bandas que tocam para nós. Fazemos a roda de favorecimento do emprego. A gente se torna feliz com a possibilidade de empregar pessoas, mas não temos reconhecimento do governo. Temos funcionários de oito a de anos trabalhando com a gente.
     Carlos Emanuel: Primeiro veio o Bar do Railson Fátima, para os jovens, Picanha do Railson, para as famílias e agora o Bar do Railson Aldeota. Qual o público principal deste último?
     Railson do Bar: Bar do Railson Aldeota na Rua Silvia Paulet é um ponto que gosto é bem produtivo, de qualidade, era o ideal que procurei. Um dia fui sozinho lá analisar, no outro dia levei minha esposa. Local onde podemos alcançar o público do happy hour, público que vai cedo. Lá tem música sertaneja, forró acústico. Tem um ano e 10 meses, mas está alcançando a expectativa. Ele alcança o público de pessoas que saem das empresas. Turmas que chegam de cinco, seis, dez, 15 para fazer a “hora feliz”. Lá não funciona até tarde; Do Bar eles saem para festas em clubes e outros locais.
     Carlos Emanuel: E suas família?
     Railson do Bar: Sou pai de três filhos, tenho a Raissa de um relacionamento em Crateús, antes da esposa atual, ela tem 23 anos e me deu até um neto. Da Queirilane são dois filhos, Railson Filho, 9 anos, Aline tem 13 anos. Vivo dedicado a família. Gosto de levar meus filhos ao colégio. Fazer coisas de paizão, de botar para dormir, assistir filmes juntos. De ir ao shopping. Hoje cuido bem da família.
     Tem hora que não temos tempo, mas administramos, eu, o Picanha, a minha esposa o Bar do Railson Fátima e temos um gerente do Bar do Railson Aldeota, que conto com ele para dar conta do recado.

sábado, 1 de setembro de 2018

Na Arquibancada: Entrevista Victor Hannover




Na Arquibancada entrevista Victor Hannover 

Parte 1

 


Na Arquibancada: entrevista com Victor Hannover Parte 2



Programa semanal de esportes da Web rádio Classista, com Paulo Oliveira (Frei Tito), Ézio Rodrigues (Palestrinha), Rômulo Jacob, David (Estranho) e Carlos Emanuel (eu)

segunda-feira, 25 de junho de 2018

# 07 Edição especial (#tbt). Entrevista com Antonizia Andrade Moura

Essa entrevista foi em 2012-2013(?), na cadeira de radiojornalismo na Fanor. O tema foi espiritismo.
Ouça: 

# 06 edição especial. (#tbt). Entrevista com Debora Lima



Originalmente realizada por mim com a cantora Débora Lima. Uma entrevista experimental da cadeira de radiojornalismo da Fanor. Mais ou menos entre 2012-2013
Ouça: 

domingo, 29 de abril de 2018

Entrevista com Cival Einsten (Jornal do Comércio do Ceará)


Por Carlos Emanuel (repórter JC)
            “O artista não tem salário, tem um plano econômico de muitos anos. O bom trabalho depende do ponto de vista de quem aprecia”

            A TV era o veiculo de comunicação que ligava muita gente ao mundo imaginário, antes do advento da internet. Einsten, nome de cientista, que foi escolhido porque seu pai gostava de matemática, era um garotinho de quatro anos, que acompanhava os super heróis, na sessão de desenho animada pelas manhãs. Foi assim que ao usar o lápis de cor, ele desenhou o super-homem. “eu nunca vi ele salvar nada, mas foi meu primeiro desenho”. Cival Einsten, 35 anos, profissão artista, que nos idos de 1999, começou a levar a sério o que era apenas um passatempo e a única coisa que sabia fazer e gostava, então surgiram os primeiros quadros, foi atrás de referências e encontrou, os pintores Almeida Leite e Descartes Gadelhas, que lhe ajudaram com dicas e apoio.
            Ainda não havia a visão critica em relação à sociedade, mas apenas as caricaturas que retratavam os aspectos engraçados dos personagens desenhados, foi ai que veio às artes de Bin Laden, Jimi Hendrix, Aldemir Martins, Fagner. Nesse início não existia ninguém era apenas o artista em seu isolamento social, na biblioteca de economia da UFC, Sesc, Dolor Barreira. As dúvidas vinham. Ele não sabia para onde ir, ainda surgiam trabalhos isolados para revistas, alguns quadros vendidos.
            Então como seguir, sem saber para onde ir? Como dizia na música do Raul Seixas. Foi ai que veio a oportunidade de internacionalizar seu trabalho, com a internet. Foram quatro longos anos tentando de forma continua ser reconhecido, enquanto fazia seus lances profissionais de forma paralela para sobreviver. Vieram as premiações, primeiro, em 2005, uma exposição do seu trabalho no Sesc, com caricaturas dos humoristas locais: “Exposição Sesc de Humor”, organizada por Luciano Lopez (Luana do Crato). Em 2006, na Romênia tirou menção honrosa no Ion Luca Caragiale Competition Caricature, depois veio prêmios na Argentina, foi jurado no 19h International Cartoon Contest – Haifa 2013 (Israel), prêmio especial Macedônia (2014-2015-2018), prêmio especial Armênia (2015), Trofeu Skal 2017. O principal segundo o cartunista foi ganho recentemente, Honorable Mention, the 14th Internacional cartoon contest Syria 2018: “Essa menção é dedicada ao povo Syrio que tem autenticidade cultural e uma resistência em promover o humor ao redor do mundo para o bem do povo Sírio e o fim do imperialismo norte-americano”. Talvez o mais importante tenha sido a sua participação na Bienal Internacional de Caricatura (2013-2014), onde conseguiu expor seu trabalho e de seus colegas de profissão de Fortaleza para o mundo.
            Jornal do Comércio: No quadro “persistência da memória”, o pintor Catalão Salvador Dali, mostra uma paisagem com vários relógios se desmanchando, o que ele quis dizer ele com esse quadro?
            Cival Einsten: O tempo sempre está numa contagem regressiva, temos que aproveitar o tempo, sempre se remodelar, se reciclar.
            JC: Salvador Dali era do movimento do cubismo, que utilizava formas geométricas para retratar a natureza. Já depois temos o dadaísmo, que rompe com os modelos tradicionais e clássicos. Como isso influenciou a pintura, as artes do século XX e lhe influenciou de alguma forma?
            CE: sempre fui fã do trabalho dele. Ele começou sua amizade com Garcia Lorca que enfrentou a Guerra Civil Espanhola, lamentavelmente morreu no pelotão. Salvador Dali foi egocêntrico, surrealista ele criou um personagem a sua volta. Ele passou muito tempo retratando sua esposa. Apesar de não ser surrealista, admirava seu trabalho.
            JC: Como foi encontrar sua identidade artística?
            CE: Sempre desenhei, fiz muitos desenhos de super heróis, mas buscando minha identidade própria. Às vezes eu me perguntava, será que eu sou artista mesmo?      Encontrei o Almeida Leite e o Descartes Gadelhas que viram meu trabalho e me deram as evidências de que eu estava no caminho certo. Admirava o Aldemir Martins que desenhava a mulher rendeira, retratava gatos, retratava o pessoal do Nordeste em geral. Gosto da mensagem que ele passava no seu trabalho. Eu tinha o desejo de encontrar o Aldemir Martins e estive no Teatro José de Alencar, quando entreguei um retrato que fiz dele, em um show do Belchior, um dos últimos shows, inclusive você estava presente.
            JC: E os períodos iniciais foram realmente difíceis?
            CE: Eu sempre fui inquieto, tinha uma mente perturbadora, tive que participar de um isolamento social e nas bibliotecas foi onde tomei do livro (vinho), que me fortaleceu muito como pessoa. A sociedade é padronizada, as pessoas sempre perguntam “meu filho o que você quer ser quando crescer?” “Artista”, “faça isso não, vá para a polícia federal”, mas foi assim que começou sabendo o que eu queria. Muita resistência, uma mistura de sentimentos, de amor, tristeza, alegria eu não tive uma vida fácil, artista no Brasil pena, é um processo meio que tartaruga. Para eu vender as minhas obras eram vendas isoladas. Nunca se chega à casa da namorada apertando a campainha, o pai dele vai dizer o que isso rapaz, mal chegou já quer arma a rede?
            JC: Como foi que seu trabalho ficou reconhecido?
            CE: Passei quatro anos sem resposta tentando e além de enviar meu trabalho eu me sensibilizava com as causas sociais, os menos favorecidos, negro, homossexual, com as minorias, o separatismo mundial, genocídio da Armênia, esses assuntos sempre mexeram comigo, eu sempre quis expor esse assunto nos meus cartuns. A soberania de todos os países, sempre tento enfatizar a paz, mas para isso temos que ter um ciclo social, político e econômico em funcionamento. O mundo está em transição com um falso populismo de direita, que quer acaba com os direitos trabalhistas. Nem tudo é trabalho às vezes também é coração e essas causas sensibilizam a gente.
            JC: E esse prêmio da Síria de 2018, qual a importância? E os refugiados?
            CE: atualmente esse prêmio tem uma relevância. Um povo que está lutando pela soberania nacional. Os EUA na pessoa do Donald Trump, são os promotores da guerra e da violência e sempre buscam interesses como o petróleo e eu dedico ao povo Sírio essa homenagem que recebi, enchem meu coração de sentimento e de lágrimas. Em relação aos refugiados, a imigração é uma situação complexa, existe o colonialismo do passado os franceses dominaram a África, ai quando um africano vai para a França, você vai condenar eles? E no passado? Existem países que não são reconhecidos pela Onu, que passa miséria. É uma causa humanitária e todos os países deveriam criar políticas públicas para o refugiado e não maltratados. Eles são como filhos abandonados, sem a mãe e sem o pai, é muito fácil é criticar difícil é dá de “mamar” a eles. São problemas, sociais, etnológicos, econômico e de identidade.
            JC: Como artista consegue sobreviver em meio à crise?
            CE: sobreviver no Brasil é uma mistura de privações, limites, mas o nosso povo sorrir e tem a molecagem, samba, se vira nos 30. Não existe mercado, existe uma ilha e você tem que fazer o que você gosta e sempre alguém vai apreciar sua arte. Para muitos tem outra atividade, a parte.
            JC: O cartum surgiu em 1840 na Revista Punch fazendo paródia sobre os estudos dos afrescos do Palácio Westminster. Qual seria o papel do cartunista? É ironizar as coisas sérias do nosso dia-a-dia?
            CE: o cartunista tem uma visão critica satírica e reflexiva e no meu ponto de vista tem de ter uma visão social. É importante ter uma atuação histórica, fazendo a leitura do país, mas existe uma diferença, a charge é atual e o cartum é atemporal, por exemplo, posso fazer sobre a Grécia antiga. O papel do cartunista é importante porque ele é um intelectual, que tem uma visão social, política e satírica e criativa.
            JC: Laerte, Henfil, Angeli, Carlos Latuf, Jaguar, Glauco, Chico Caruso, Millor Fernandes, são nomes que fizeram história no cartum. Você se identifica com alguns deles? Fale-me sobre suas influências.
            CE: Eu admiro todos eles, você só listou craques. Mas minha lista é ampla, tenho referências na Eslôvenia como Milan Alasevic, que reconheceu meu talento, publicou na ex-Iugoslávia, Sérvia, Kosovo. Gosto também do Mino, Klevisson Viana, entre outros.
            JC: O que é preciso para ser cartunista?
            CE: primeira coisa leitura, atualidades. A leitura na fonte sadia verdadeira, sem ser fake news. Sempre é bom pesquisar, ouvir um professor de história. O material que eu uso é tinta acrílica, a óleo, pastel, aquarela, nanquim, depende do trabalho que vou fazer.
            JC: Qual a importância da classe artística, no movimento político brasileiro? Suas últimas charges são bem assíduas contra o governo Temer, contra atitudes distorcidas do juiz Sérgio Moro.
            CE: Quem vive numa ilha tomando suco de limão gelado, com uma mulher bonita não vai reclamar de nada, se eu morasse na Suécia economicamente bem eu não falaria nada. Resolveram tirar o fósforo da caixa e tocar fogo e o povo começa a gritar. Aconteceu comigo, não quis fazer a negação da política, a primeira coisa que eu quis fazer foi impulsionar as informações da política. O Sérgio Moro eu não quero tomar partido pelo Lula, quem tiver seus crimes que pague, mas eu acho que o Sérgio Moro é um agente da CIA com interesse político, que esta combatendo um governo social, é tanto que ele está preocupado com o auxílio moradia dele do que os outros corruptos, que ele deixou para lá o caso Banestado, um desvio de 123 bilhões de reais nas conhecidas contas CC5 em 1996, quem pagou essa conta foi o povo. O povo vive aquele estado velho com o saco de feijão e as costas carregando no sol quente, se pegar dois ovos para comer é chibata nas costas, o povo está dormindo. O povo está no “boa noite” cinderela, só vendo Globo. Política é igual a trânsito você dirige para os outros, mas a elite escravocrata criou o MBL grupo fascista, “Mamãe falei”, é coisa de menino mimado, são grupos fascistas com a mentalidade de 40.
            JC: E a onda de violência?
            CE: É uma palhaçada, está havendo um bipolarismo paranóico e total perca de valores. Eu sou um cartunista e tenho opinião pessoal gosto da paz, e possamos chegar às eleições tranquilos, não sou obrigado a pensar igual a você, mas tenho que respeitar. Não posso praticar violência, minha solidariedade aos professores que estão sofrendo uma coisa que é Escola sem Partido, isso não existe, porque o pessoal de certo candidato, não vou falar o nome dele e escreve as frases deles. Como é Escola sem Partido, se eles entram na escola filmam os professores para complicar a vida deles? Olha a violência que estão praticando, o professor é um sofredor. Trabalha de manhã, tarde e noite. O ódio não resolve nada, o que resolve é a razão é o amor. Lei marcial não resolve. Acho que o Brasil deve repensar suas atitudes, com uma nova juventude, temos que para com essa de coxinha e mortadela. O ônibus do ex-presidente Lula levou tiro e não houve resposta e o caso Mariele não houve solução e quando jogam tinta no prédio da Carmem Lúcia logo vem às respostas, já sabem quem pintou. A tintura é presa, mas a bala está solta.
            JC: Se não fosse artista o que você seria?
            CE: Não tenho a mínima idéia talvez professor de história. O mundo está globalizado, eu sou um privilegiado, eu faço o que gosto. Cada um tem suas escolhas. Se você for pensar em dinheiro, paciência. Culturalmente somos atrasados. Ainda vem o STF querendo anular a carteira de artista, querem tirar a humanas, para termos a cabeça engessada. Não gosto de julgar ninguém. Eu estou falando o que eu acompanho não vi nada diferente.

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

Resgate de entrevistas que fiz em aúdio

Ordem aleatoria: São 13 entrevistas que fiz de futebol,  a política falando sobre saúde e também boêmia
11/10/2013:
Entrevista com Samily Girão evento de saúde em Fortaleza:



quinta-feira, 5 de maio de 2016

Santa Fé as margens do KM 14 BR 116 tem mais do que apenas asfalto e mato também existe gente que deseja mudar a realidade

Da Messejana para Fortaleza, Cleiton Teixeira é mais um fortalezense em busca de novos horizontes para si e para sua cidade

     Messejana, terra de José de Alencar e do ex-presidente Castelo Branco, onde os índios potiguaras habitavam antes da chegada dos colonizadores portugueses. Depois urbanizada pelos jesuítas, até a reforma pombalina, que a partir de 1759, passou a ser chamada de “Vila Nova de Messejana da América” e que através das Estradas Parangaba-Messejana e Estrada do Fio serviu de escoamento do gado, hoje o bairro tem uma população de 44 mil habitantes, porém com a expansão, criou a Grande Messajana, que faz parte da Regional VI de Fortaleza e conta com mais bairros ao seu entorno. Entre eles temos um Ancuri (que muitos hoje chamam de Santa Fé).
     Dessa área de 5.731 km² e com um população de 13.891 habitantes foi que saiu mais um filho ilustre, Cleiton Teixeira, de 36 anos, motorista e que foi até o ensino superior, no curso de Recursos Humanos, na Apoena, onde ainda espera em breve concluir a graduação.
     Nas fases anteriores da sua vida, estudou ainda nos Colégio Padre Severiano e no José de Alencar. O meu blog foi até o Santa Fé ouvir a voz de mais uma nova liderança que surgi em Fortaleza e que pretende ajudar a sua comunidade de alguma forma, como já o faz há alguns anos de formas pontuais, sempre que alguém pede socorro, ele está a disposição com seu carro particular, seja que hora for, para ajudar a minimizar as dores que são tantas na sua comunidade, carente de tudo.
     Acompanhe mais a frente uma pequena entrevista feita ele e que traduz o seu pensamento atual sobre vários assuntos como família, profissão, pretensões políticas e o momento atual do nosso país.
                                                                                                                  
1: Fale um pouco da sua família. Dos seus pais. Esposa. Quais exemplos de positivo têm dos familiares?
R: Sou filho de José Ferreira de Souza e Maria Nery Teixeira de Souza, tenho quatro irmãos. Meu pai hoje em dia está aposentado da Cagece, onde exerceu a função de operador de máquinas. Minha mãe é dona de casa e os dois mim deram educação e carinho para que pudéssemos ter dedicação em tudo o que fazemos.

2: Quando começou a trabalhar? Tinha quantos anos? Fale um pouco da sua trajetória no mercado de trabalho. Que acha da sua profissão de motorista?
R: Comecei a trabalhar a partir dos 18 anos no exercito brasileiro, onde fiquei um ano e em seguida fui trabalhar na L&F comércio LTDA, como função de motorista e também passei um ano, depois fui para a empresa Ibiapina, onde passei um ano e meio. Fiquei trabalhando por conta própria no período de cinco anos e em dezembro de 2012 eu fui para empresa JSB. É uma boa profissão e se tivesse apoio dos empresários e fosse mais valorizada, seria melhor ainda mais.
Cleiton Teixeira no dia a dia de trabalho (foto: arquivo Facebook)

3: Em relação a comunidade onde vive, quais as ações que você já desempenhou em apoio aos moradores do bairro em que vive?
R: Trabalhei com esportes para a juventude e trouxe algumas qualificações para a comunidade como cursos de manicure e às vezes levei pessoas sem condições para ir ao hospital.

4: O que lhe motivou a entrar na política, O que você acha que pode fazer pelas pessoas se tornando vereador?
R: O que motivou foi porque gosto de ajudar as pessoas e quero tentar entrar na política para conseguir recursos e ajudar a população. Trazer melhorias para o povo como saneamento básico, creche, esportes e cultura.

5: Qual a dica que dá para as pessoas que estão sofrendo com a crise econômica? Que elas podem fazer para sair dessa situação?
R: Que possamos nos unir para poder fazer algo para aumentar a renda, como feira e possamos vender o que for como roupa e alimentos, etc.





domingo, 13 de dezembro de 2015

Cristiano Câmara critica oportunismo dos que querem derrubar a presidente Dilma

Em entrevista com o museólogo cearense Cristiano Câmara (sobrinho do ex-Arcebispo de Olinda Dom Helder Câmara), ele fala com sua língua afiada sobre a hipocrisia política, a manipulação da TV e outros assuntos:

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

A Biografia de Getúlio Vargas e sua Repercussão em Duas Gerações de Leitores por Roberto Eduardo

O jornalista Roberto Eduardo em seu blog Pensando desde 1978 trás uma reportagem em forma de entrevista sobre a biografia de Getúlio Vargas. Na oportunidade ele, conversa com o jornalista Paulo Verlaine Coelho e comigo Carlos Emanuel, sobre a trilogia escrita pelo cearense Lira Neto, premiado com o Prêmio Jabuti, veja abaixo na integra: 

Por Eduardo Fontenele e Rodrigo Batista
O presidente Getúlio Vargas (1882-1954) foi um homem múltiplo, multifacetado, e hoje é um mito, devido às suas realizações e à forma como morreu. Seu suicídio o credenciou a permanecer no imaginário dos brasileiros até os dias atuais. Em 2012 começou a sair pela Companhia das Letras a trilogia biográfica sobre Vargas, escrita pelo cearense Lira Neto (51), jornalista e escritor especializado em biografias.
O primeiro volume da trilogia recebeu o título de Getúlio – Dos anos de formação à conquista do poder (1882-1930). O segundo volume Getúlio – Do governo provisório à ditadura do Estado Novo (1930-1945) foi agraciado com o Jabuti em 2013 na categoria Biografia, Não-Ficção. A trilogia foi encerrada este ano, com Getúlio – Da volta pela consagração popular ao suicídio (1945-1954), com forte repercussão entre os leitores de biografias e entre os admiradores do “Pai dos Pobres”, como era chamado o presidente. Esta reportagem tem o intuito de dar uma pincelada na repercussão da trilogia entre dois jornalistas cearenses de gerações diferentes, mas com o mesmo interesse na vida do estadista.
Segundo Livro
O livro premiado com o Jabuti – Fonte: Site da Companhia das Letras
Carlos Emanuel Bezerra Alves é um jovem jornalista, blogueiro e aspirante a escritor, de 35 anos. É filiado ao PT.
Paulo Verlaine Coelho é um veterano das redações, de 64 anos, que atuou nos jornais O Povo e Diário do Nordeste, foi ombudsman do primeiro. Lançou este ano, em parceria com o jornalista Salomão de Castro (37), a biografiaCompanheiro praiano: 30 anos de vida pública de José Airton Cirilo. É assumidamente getulista.
Entrevista com os jornalistas Carlos Emanuel e Paulo Verlaine sobre a biografia de Getúlio.
  1. O que você pensa sobre essa febre por biografias aqui no Brasil?
Emanuel: “Acho bacana, pois há uma necessidade da sociedade em geral conhecer seu passado e sua história e muitas vezes durante os estudos, seja do ensino infantil, fundamental e médio, o que sabemos é apenas o básico, uma história contada pelos vitoriosos, que ganharam a guerra, ou baseado nos relatos da mídia da época que quase sempre está ligada a interesses de A ou B. Quando estamos lendo uma biografia, sabemos as particularidades do estadista ou mesmo suas decisões mais íntimas e assim formamos um juízo maior sobre suas mais importantes razões e porque ele tomou essas atitudes”.
Verlaine: “É um fenômeno relativamente recente e eu acho interessante, porque resgatou a história da nação. Procurou resgatar, está resgatando figuras que merecem ser biografadas, figuras com vidas interessantes, que não são conhecidas do grande público. É um fenômeno interessante”.
carlos emanuel reporter
O jovem jornalista Carlos Emanuel – Fonte: Site do jornal Une Vila
  1. Você acha que é a obra definitiva sobre Getúlio Vargas?
Emanuel: “Foi muito interessante ler a primeira parte da biografia desse governante. Que conta a história de Getúlio Vargas do nascimento, ainda em São Borja, até o momento da viagem de trem até o Rio de Janeiro, onde tomaria posse num golpe revolucionário no cargo máximo de presidente. Getúlio estudante, observador, homem sereno que esperava o momento certo para tomar as atitudes. Até o último momento se manteve contrário a um golpe de estado, até que juntou os apoios políticos necessários. Getúlio esperou que o chefe maior do seu partido caudilho decidisse sobre seu rumos, enquanto ele era ainda deputado obediente, depois virou presidente do Rio Grande do Sul e Ministro da Fazenda.”
Verlaine: “Eu considero até o momento a obra definitiva, é claro que o Getúlio é um manancial de figura humana, que ainda pode ser que alguém descubra mais alguma coisa sobre ele e é claro que vai descobrir. Eu acho que o Lira conseguiu fazer um trabalho abrangente sobre Getúlio Vargas.”
PAULO VERLAINE
O jornalista veterano Paulo Verlaine – Fonte: Facebook
  1. O Lira Neto é um excelente biógrafo?
Emanuel: “Só conheço esse trabalho dele. Cheguei a ver algumas entrevistas dele em alguns programas de TV e sei que ele já fez biografias importantes como a de Padre Cícero. Sei que para fazer essa pesquisa ele se dedicou muito e contou com o apoio de auxiliares que fizeram parte da pesquisa em mais de um ano de trabalho para o primeiro volume. Ele fez um bom trabalho comparando com outras biografias que vi, como o Chatô [O rei do Brasil, 1996, de Fernando Morais], O Anjo Pornográfico [1992, de Ruy Castro] eEstrela Solitária [1995, idem].
Verlaine: “Eu até digo que sou suspeito pra falar porque ele, além de ser meu colega, trabalhou comigo, é meu amigo no jornal, trabalhei com ele em dois jornais, no Diário do Nordeste, trabalhei com o Lira Neto no O Povo, e muitas vezes nós conversávamos, saíamos para conversar, trocar ideias em alguns bares e ele me dizia, já me dizia isso nos anos 90, início dos anos 90, que o grande sonho dele era ser escritor e é isso. Ele conseguiu. Eu fico muito feliz por ele ter atingido a meta que ele se propunha, e atingiu com muita felicidade. Hoje, Lira Neto é um nome nacional, e que muito me orgulha por eu ter tido o prazer de ser amigo dele.”
lira-neto
O jornalista e escritor Lira Neto – Fonte: Blog Literaturma
  1. Você aprova a polêmica técnica de pesquisa do autor?
Emanuel: “Como falei na outra resposta sobre isso e posso avaliar que depende muito de cada situação. O autor, para fazer um trabalho sozinho sobre um homem importante como Getúlio Vargas, é necessário uma pesquisa mais extensa e depende sobretudo de recursos da editora pela qual foi contratado para executar a missão. Vejo que o mais importante é que na hora de escrever ele possa focar nos detalhes mais importantes e veja na pesquisa o que realmente faz a trama de um livro-reportagem como esse se tornar mais interessante. A verossimilhança com o que realmente aconteceu depende do ângulo do pesquisador. Podem haver duvidas sobre esse ou aquele fato, o que é boato e o que realmente é verdade e para isso tem-se de beber de várias fontes para não cair na armadilha de repetir velhas formas de apuração e conclusão dos trabalhos.”
Verlaine: “Até certo ponto, eu aprovo, principalmente quando se trata de uma figura como a de Getúlio Vargas, um homem multifacetado, que tem nuances. Locais por onde passou. Fatos marcantes. Que merecem, que se ele fosse passar, ele, Lira Neto, se dedicando a pesquisar sobre Getúlio Vargas, essa trilogia que ele fez ia durar muito mais tempo do que levou. Ele entregou em tempo quase recorde, graças a essa equipe. Mas isso aí é válido, devido à dimensão que o biografado tem. Getúlio Vargas foi um homem que influenciou e ainda influencia o Brasil de hoje”.
Verlaine define as origens de Getúlio desta forma:
“Uma pessoa que teve suas origens no Rio Grande do Sul, toda aquela cultura gaúcha, todo o segmento gaúcho, teve uma trajetória interessantíssima, chegou a governar o país durante quinze anos como ditador, uma parte do governo provisório, no início da ditadura de 87 até 45, era ditadura, depois foi deposto, retirou-se para o exílio em sua terra natal, o Rio Grande do Sul. Um exílio interno e depois voltou consagrado nas urnas pelo povo.”
E retoma seu argumento sobre o tema da peculiar forma de apuração de Lira Neto:
“É uma figura tão complexa que só uma pessoa não poderia cobrir, como pesquisador, abrangendo toda a trajetória e a complexidade da figura do Getúlio. A equipe auxiliou o Lira Neto com muita competência. Mas o Lira também, ele teve a visão de escolher pessoas boas e ele acompanhou, ele supervisionou essa equipe, e o texto é do Lira. Ele pegou elementos e transformou no livro, numa trilogia, que hoje é, para quem quiser entender Getúlio Vargas, entender o Brasil, passa a ser um livro de referência”.
Getúlio
O primeiro volume da trilogia Fonte: Blog Botequim cultural
  1. Houve suicídio? Conspiração? Influência americana?
Emanuel: “Pode ser que realmente Getúlio tenha se matado devido à pressão da opinião pública da época ser grande. Nomes como Carlos Lacerda e seu jornal Tribuna da Imprensa se achavam revolucionários por combater um “ditador”, como Getúlio Vargas, mas na verdade eles tinham inveja da popularidade de Vargas, coisa que hoje acontece com a mídia golpista brasileira contra a figura de Lula e Dilma e do PT. Quando os líderes mais ligados ao centro, ou as elites vêem sua influência se perder, começam a arrumar um bode expiatório para os seus problemas. Agora na questão da versão sobre o suicídio é muito complicado afirmar alguma coisa com certeza plena. Pode ter sido assassinado e a carta de despedida ter sido escrito por outra pessoa. Se fosse hoje a história poderia ser outra com as redes sociais e as novas mídias digitais, logo essas dúvidas ficariam esclarecidas porque além da opinião oficial dos jornais de oposição teríamos as versões dos blogueiros progressistas.”
Verlaine: “Pura teoria da conspiração. Getúlio era um homem calculista, orgulhoso e que jamais iria deixar o Palácio do Catete pela segunda vez, humilhado, escarnecido pelos seus detratores. Quem conhece através dos livros a personalidade do Getúlio, vê que o suicídio sempre foi uma fixação na vida dele. Ele sempre pensou nisso em momentos difíceis. Quanto à questão da teoria da conspiração, chega a ser até risível isso aí, por que os fatos estão lá, a filha dele estava lá, a Alzira Vargas, foi quem correu para o quarto do pai quando ouviu o disparo, e abraçou-se com ele. E Lira Neto, com muita propriedade, no primeiro volume, ele fala desta quase obsessão do Getúlio pelo suicídio. Não sei o suicídio, assim, tipo depressivo, mas aquele suicídio heróico, um suicídio, assim, que seja de um ato contra os inimigos, como de fato aconteceu. O Getúlio, no momento, até antes do suicídio, estava execrado. Inclusive, os setores da população, não os trabalhadores, as pessoas humildes, essa classe média, que está aí, a cobrar de Dilma, de Lula, esse mesmo tipo de gente, estava a exigir a renúncia vergonhosa de Getúlio Vargas, e ele se vingou de todo esse pessoal de uma maneira que ele achou própria, o suicídio”.
Paulo Verlaine 2
Paulo Verlaine – Fonte: Site Segunda Opinião
Verlaine comenta sobre o Atentado da rua Tonelero:
“Agora só uma questão interessante aí, isso aí merece como reflexão, e não é teoria da conspiração, e o Lira trata bem do assunto, é a questão do atentado ao Carlos Lacerda. Houve o atentado, figuras da guarda pessoal do Getúlio, sem o conhecimento dele, quiseram proteger o chefe de uma maneira desastrada, que contribuiu até para o seu suicídio. Mas o Carlos Lacerda aproveitou-se demais deste episódio, e há quem diga, há depoimentos, inclusive, que o livro cita, do próprio Carlos Lacerda, o próprio Carlos Lacerda, dizendo, em tom de desespero, chorando, para o repórter que é da confiança dele, que teria, ele, Lacerda, sido o autor dos disparos, involuntariamente, claro, que matou o Major Vaz, para se defender”.
E conclui:
“Os dois iam chegando, estavam se despedindo, quando alguém atirou, o Lacerda correu, começou a atirar também, nessa troca de tiros, as balas do Lacerda atingiram o Major Vaz, e isso aí não vou dizer que aconteceu, mas o próprio Lacerda não tinha dúvidas sobre isso. Isso está no livro, o Lira coloca no livro dele também que o revólver do Carlos Lacerda nunca foi periciado. Se existe alguma dúvida, não é por conta do suicídio do Getúlio. É se o Major Vaz foi morto pelos pistoleiros que tentaram matar Lacerda ou, involuntariamente, foi vítima das próprias balas do Carlos Lacerda em defesa dos tiros que aconteceram quando os dois estavam chegando. O Major Vaz era uma espécie de guarda-costas do Carlos Lacerda, foi deixá-lo no edifício Litoral e foram surpreendidos pelos tiros. O Lacerda já estava armado e o Major Vaz ficou no meio do fogo. Isso pode ter acontecido, se existe dúvida, é essa. Outra, nenhuma”.
getúlio
O último volume da trilogia – Fonte: Site da livraria Saraiva
  1. Você acha importante falar de Getúlio e de seu legado 60 anos após sua morte?
Emanuel: “Claro, o ‘Pai dos pobres’ contribuiu, e muito, para a classe trabalhadora com a criação da Consolidação das Leis do Trabalho e os direitos trabalhistas e para uma forma mais unificadora do Brasil. Ele soube como poucos sabem hoje, exceção de Lula, usar a propaganda para enaltecer seus feitos. Com um Congresso Nacional sempre cheio de vícios necessitamos de um político com mais energia para fazer as mudanças que o país necessita sem ficar refém dos senadores e deputados federais.”
Getúlio deixou como legado a CLT, a Petrobrás e muitos herdeiros políticos. Seu nome ainda é relevante no universo da política brasileira, isso pode ser percebido no Populismo de líderes como Lula.
Verlaine: “Getúlio é ainda uma figura marcante da política brasileira. Ele tem herdeiros. É popular. Um herdeiro direto de Getúlio Vargas foi o Leonel Brizola, e hoje, Lula. São herdeiros de Getúlio. Lula começou nos sindicatos fazendo política anti-Getúlio. Hoje, ele já se considera herdeiro do Getúlio. Mas quando ele começou no sindicato, ele fazia questão de dizer que era… combatia a herança de Getúlio no movimento sindical. Hoje, o PT copia e exalta a figura do Getúlio, antes execrava.”
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O presidente Getúlio Vargas  Fonte: Wikipédia
  1. Vargas foi um ditador cruel, que entregou a judia Olga Benário aos nazistas, ou foi “O Pai dos Pobres”?
Emanuel: “Ele foi as duas coisas. Quando ele entregou a Olga Benário para o Hitler, ele estava fazendo uma defesa de seu governo. Pois existia uma possibilidade de um golpe comunista no Brasil, ou pelo menos ele pensava que existia isso. E quando ele está no Estado Novo sofrendo com críticas ao seu governo resolve abraçar os trabalhadores com medidas populistas e tenta cercear a liberdade de imprensa e passa a perseguir os sindicatos e coloca em seu lugar associações que são mais paternalistas do que emancipatórias.”
Verlaine pondera sobre a questão envolvendo a conduta de Vargas ao entregar Olga Benário aos nazistas e a personalidade multifacetada, e, possivelmente, bipolar do ditador. Ao mesmo tempo que era capaz de gestos de grandeza ao ponto de ser chamado de “Pai dos Pobres”, era capaz de atrocidades como o ato de entregar Benário aos seus algozes alemães.
Verlaine: “Todo ditador é cruel. Ditador bonzinho, não existe. A questão da Olga Benário é dolorosa. O Luís Carlos Prestes, que foi preso, e teve sua mulher, Olga Benário, deportada para a Alemanha. A Olga era, além de comunista, era judia. Deportar uma pessoa com essas duas condições para a Alemanha, significava enviá-la para a morte. E o Luís Carlos Prestes foi preso, passou dez anos ou mais nos cárceres da ditadura de Getúlio Vargas, mas depois de libertado, sentiu que as forças conservadoras, que ele chamava de reacionárias, estavam contra Getúlio. E se aliou, de certa forma, a Getúlio Vargas”.
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Olga Benário Prestes – Fonte: Blog Menina classe A
E Verlaine ainda acrescenta:
“Eu não diria que ele perdoou o Getúlio, por isso não, ele foi muito pragmático como político, frio, e Getúlio Vargas também era. Os dois chegaram a, depois, de tudo isso, a estarem presentes juntos em um mesmo palanque. Foram fotografados. Prestes apoiando Getúlio Vargas, não houve cumprimentos pessoais, o próprio Prestes fez questão de dizer isso. Mas o Prestes esteve no palanque com Getúlio. Agora, julgar isso aí é meio complicado, porque Prestes se julgava um político que deixava o lado pessoal em segundo plano, para se preocupar com problemas propriamente políticos ou do povo, dos trabalhadores, como ele dizia. Getúlio, por sua vez, era um homem também prático, os dois conviveram no palanque. Não houve cumprimentos, mas o Prestes esteve lá para dar sua solidariedade a Getúlio, que naquela época, estava acossado também por forças reacionárias. Forças que queriam destruir o que Getúlio tinha conseguido para a classe trabalhadora.”
Luis Carlos Prestes
Luís Carlos Prestes – Fonte: Wikipédia
Além da trilogia sobre Vargas, Lira Neto escreveu: Maysa – Só numa multidão de amores (Editora Globo, 2007), Padre Cícero – Poder, fé e guerra no sertão(Companhia das Letras, 2009), O inimigo do rei: Uma biografia de José de Alencar (Editora Globo, 2006), Castello: A marcha para a ditadura (Contexto, 2004), O poder e a peste: A vida de Rodolfo Teófilo (EDR, 1999) e A herança de Sísifo: Da arte de carregar pedras como ombudsman na imprensa (EDR, 2000).
João de Lira Cavalcante Neto estudou Filosofia na Faculdade de Filosofia de Fortaleza, Letras na UECE (Universidade Estadual do Ceará) e Jornalismo na UFC (Universidade Federal do Ceará). Foi professor de História, Redação e Literatura, antes de se dedicar ao Jornalismo. Iniciou no Jornalismo como revisor do Diário do Nordeste, depois entrou em O Povo, onde foi repórter, editor e ombudsman.
Posteriormente, tornou-se poeta marginal. Escreveu os folhetos Gamões & Fliperamas, Roteiro dos círculos e Girassol marginal. Já em São Paulo, publicou artigos, entrevistas e reportagens. Além de jornalista e escritor consagrado, também é editor de livros. Com o livro-reportagem O inimigo do rei: Uma biografia de José de Alencar ganhou seu primeiro Jabuti.
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