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sábado, 2 de novembro de 2019

Railson Machado Batista, uma história de sucesso


    
     Natural de Crateús, dos anos 1970, de duas famílias conhecidas de comerciantes e pecuaristas, “Machado” e “Carneiro”. Railson Machado Batista enfrentou a seca, teve paciência para aprender em vários empregos, desde cuidar de estacionamento, a ser motorista e vigilante. Mas o sonho em sua mente, o levou a empreender e construir uma história de sucesso no ramo de bares e restaurantes. Consciente de seu papel de empregador, de empresário, enfrentando altas cargas de impostos, o amor as pessoas e ao que faz o tornou, quem hoje ele é, um “homem de família”, sem perder o gosto musical de suas raízes. Esse é o entrevistado da vez, no nosso blogger e podcast.
Carlos Emanuel (a esquerda), Railson do Bar (a direita)


     Carlos Emanuel: Todos temos um história para contar, fale um pouco da sua trajetória.
     Railson do Bar: Na minha infância, na fazenda Vitor, onde eu cheguei aos sete anos, com cinco irmãs. Quatro formadas: uma em Terapia Ocupacional, uma em Direito, outra em Engenharia Agrônoma e uma servidora pública.
     Já cuidando da fazenda do meu pai, nos oanos difíceis de 1980, de seca. Eu estudava a 5 km de onde morava e ia e vinha de bicicleta, onde levava uma amiga na garupa. A Régia, atualmente esposa do Romeu Veículos. Íamos ao Colégio Gaspar Dutra, depois estudei no Olavo Bilac (do exercito) e Rogério Passos na Praça dos Pirulitos, no Centro de Crateús.
     Não quis prestar vestibular, quis virar comerciante e fui para o município de Novo Oriente, aonde cheguei a ser dono de deposito de bebida e de um bar em Crateús, na Rua Firmino Rosa, no Centro, perto da Catedral.
     Com seis meses não deu certo. Foi quando recebi um convite de um primo meu e fui para Taguatinga (DF), ser sócio dele em um estacionamento. Ele me deu 30% da sociedade. Consegui ganhar dinheiro e voltar para fazenda do pai e comprar gado. Mas a seca voltou e preferi voltar para Fortaleza.
     Carlos Emanuel: Você enfrentou barreiras no início, o que levaram a amadurecer. Mas quando veio a possibilidade de começar no que você realmente gosta?
     Railson do Bar: Fui ser motorista de um coronel do exercito chamado José Walter, que tinha uma fazenda no baixo Acaraú, em Marco. Em seguida a fazenda fechou e voltei a Fortaleza e fui trabalhar num emprego que o Paulo Mourão da Policia Federal me arrumou de vigilante. Ai eu fiz curso. Com seis meses de trabalho no Aeroporto e depois BR-116, tive uma ideia com minha esposa. Queirilane Menezes de colocarmos um restaurante em 2003.
     Falei com minha irmã, Dra Rosilda. Ela foi ao banco e fez um empréstimo de 3 mil reais.
     Era o meu destino. No começo no interior aquele primeiro bar vinha muitos amigos, mas em vez de ajudar dava era prejuízo.
     No tempo de segurança, onde trabalhava por necessidade, fiquei noites acordadas refletindo a vida. Sempre tive essa vontade de ter bares e restaurantes.
     Minha esposa tinha 19 anos no começo. Minha irmã pegou esse dinheiro e eu tinha que pagar todo mês a parcela e também o aluguel do ponto, lá no Bar do Railson, Rua Felino Barroso, n° 376, Bairro de Fátima.
     Aos poucos o projeto foi se ramificando. No começo foi mantido só pela frequência de amigos. Tinha até um deles que tinha mais amigos do que eu e trouxe bastante gente. Pessoas de Crateús que fazia faculdade por aqui.
     Eu atendia as mesas e minha esposa na cozinha. Eu era garçom, ficava também na churrasqueira. O cliente chegava e eu colocava a mesa. Era tanta gente vindo que às vezes eu não tinha nem estrutura adequada para recebê-los.
     Carlos Emanuel: Como você montava o menu? Qual a referência que lhe levava a preparar determinado prato?
     Railson do Bar: O cardápio inicial era uma cerveja gelada, feijão verde, mão de vaca, macaxeira e nós íamos mudando o menu de acordo com o que a demanda pedia. Ai foi passando 2004, 2005 e 2006 e já tínhamos um cardápio variado de petiscos.
     Carlos Emanuel: Todo o negócio que cresce precisa de colaboradores, quais foram os primeiros funcionários?
     Railson do Bar: Foi no ano de 2005 que contratamos o primeiro funcionário; o Walter, um garçom e depois a Jô e a Silvinha na cozinha.
     Carlos Emanuel: Deste primeiro negócio veio a ideia de criar um estabelecimento que fosse mais adequado a família. Foi ai que surgiu o Picanha do Railson?
     Railson do Bar: Em 2007 a cliente-lá jovem que frequentava o Bar do Railson, começou a levar também os pais, mães, tios. Eles queriam saber, onde estava o filho e vinha o comentário: “Tá lá no Railson do Bairro de Fátima”. O pessoal de idade começou a frequentar mais lá. Porém era um estilo mais jovem.
     Foi onde surgiu a ideia de fazer o Picanha do Railson, em 28 de outubro de 2008, na Rua Felino Barroso. Comprei uma casa e organizei de acordo como manda a lei municipal.
     O Bar do Railson fez 15 anos, o Picanha do Railson tem 11 anos.
     Carlos Emanuel: E sua mídia quem faz a divulgação do seu nome?
     Railson do Bar:Aqui tivemos várias parcerias no Bar do Railson Fátima. Toda a mídia foi o forró que levou para ser conhecida. Xandy Avião, Zé Cantor, Wesley Safadão e Samyra Show.
     Na Picanha do Railson, a mídia é rádio, outdoors, futebol, um público bem família.
     Carlos Emanuel: Então que dizer que você tem uma preferência musical pelo forró?
     Railson do Bar: Sempre fui ligado ao forró. bem jovem ia muito a vaquejada, Mastruz com Leite, João Bandeira. Aqui em Fortaleza ia muito ao Brisa do Lago, Cajueiro Drinks, Cantinho do Céu. Tornei-me parceiro da A3.
     Mas hoje vejo que o Forró perdeu muito a essência. A minha preocupação é alavancar essa música. O forró é o raiz, da época que a gente brincava ouvindo Limão com Mel, tempos do empresário Emanuel Gurgel. O sertanejo teve uma crescente, mas o público começa a querer voltar às origens, do forró das antigas.
     O mercado começa a sentir falta do forró raiz. Daquela letra, daquela música. E lugares como Kangalha e Danadinho. Aquelas alegrias que tinhamos antes. Era igual para todo mundo, não tinha separação de espaços. Foi ai que o forró errou ficando mais vaidoso, mais caro. Chegou um ponto de nem todo mundo poder pagar o ingresso para um show, dependendo do local R$ 300,00, R$ 400,00. Acho um absurdo.
     Carlos Emanuel: Qual segredo do sucesso?
     Railson do Bar: O segredo de tudo é fé em Deus, depois vem à perseverança em si e acreditar, ter parceiros com você. A cliente-lá passa a ser fiel quando vem e encontra o que ela está procurando. O segredo é fazer com amor, o que gosta.
     Eu digo muito para quem faz bar é para quem gosta. Tem que gostar da noite, tem que gostar de gente, amar o cliente.  Tem que se sentir feliz com a casa cheia e não achar que tem gente dando problema no ponto. Faz parte.
     Um que vem para extrapolar, para ser feliz, uns bebe e fica triste. Temos que administrar tudo isso, a gente se torna até um psicólogo.
     Sempre tive carinho com o público, o cliente é o principal patrimônio de um estabelecimento. Sem cliente somos como uma igreja sem fiel.
     Carlos Emanuel:  E a situação política tem ajudado ou atrapalhado?
     Railson do Bar: Hoje o Brasil para se tornar empreendedor é muito difícil. Temos que “matar dois leões por dia e deixar dois prontos para o dia seguinte”. Para haver mudança tem que ter uma mudança política. Nessa crise de 3 a 4 anos, agora que vemos um pouco a luz no fim do túnel.
     Tem que mudar as leis trabalhistas que favorecem quem não quer trabalhar. Não estou sendo radical. O trabalhador tem que ser respeitado, mas se a gente ganha bem paga tudo.
     Qualquer amigo meu empresário que fala disso, diz que o que mata é a alta carga tributária. Receita bruta cara. Você tem que botar margem em cima. Estamos numa concorrência desenfreada. O cara do espetinho concorre comigo. Canso de ver cliente meu que frequentava assiduamente a minha “casa” comendo baião com espetinho na rua. Isso tem nos prejudicado muito.
     Temos como empreendedores a esperança de um Brasil melhor. Que possa ajudar na questão de segurança, que tem atrapalhado nossos negócios, nós que trabalhamos na noite. Hoje temos que pagar um valor altíssimo, para colocar uma segurança dentro do estabelecimento que não é obrigação nossa, mas dever do Estado. Assim só temos mais despesas.
     Carlos Emanuel: Você tem muitas famílias dependendo do seu empreendimento como manter isso tudo?
     Railson do Bar:  Peço aos deputados, prefeito, presidente da Republica que olhe para o setor privado, porque é ele quem emprega. Comecei do zero e hoje tenho 60 funcionários. Temos um cozinha mantendo com dois turnos no Picanha do Railson e três turnos, no Bar do Railson Fátima. Tem várias equipes de garçons, seguranças, funcionários diretos e indiretos. Temos as bandas que tocam para nós. Fazemos a roda de favorecimento do emprego. A gente se torna feliz com a possibilidade de empregar pessoas, mas não temos reconhecimento do governo. Temos funcionários de oito a de anos trabalhando com a gente.
     Carlos Emanuel: Primeiro veio o Bar do Railson Fátima, para os jovens, Picanha do Railson, para as famílias e agora o Bar do Railson Aldeota. Qual o público principal deste último?
     Railson do Bar: Bar do Railson Aldeota na Rua Silvia Paulet é um ponto que gosto é bem produtivo, de qualidade, era o ideal que procurei. Um dia fui sozinho lá analisar, no outro dia levei minha esposa. Local onde podemos alcançar o público do happy hour, público que vai cedo. Lá tem música sertaneja, forró acústico. Tem um ano e 10 meses, mas está alcançando a expectativa. Ele alcança o público de pessoas que saem das empresas. Turmas que chegam de cinco, seis, dez, 15 para fazer a “hora feliz”. Lá não funciona até tarde; Do Bar eles saem para festas em clubes e outros locais.
     Carlos Emanuel: E suas família?
     Railson do Bar: Sou pai de três filhos, tenho a Raissa de um relacionamento em Crateús, antes da esposa atual, ela tem 23 anos e me deu até um neto. Da Queirilane são dois filhos, Railson Filho, 9 anos, Aline tem 13 anos. Vivo dedicado a família. Gosto de levar meus filhos ao colégio. Fazer coisas de paizão, de botar para dormir, assistir filmes juntos. De ir ao shopping. Hoje cuido bem da família.
     Tem hora que não temos tempo, mas administramos, eu, o Picanha, a minha esposa o Bar do Railson Fátima e temos um gerente do Bar do Railson Aldeota, que conto com ele para dar conta do recado.

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