Estava eu, sentado na
cadeira que ficava a esquerda do ônibus, atrás três cadeiras do motorista e
três a frente do trocador, em um horário de muito movimento, por volta das 18h,onde
a maioria dos trabalhadores estão voltando pra casa, depois de um dia puxado.
Também nesse mesmo horário os estudantes vão ou vem da escola, faculdade,
cursinho.
Na maioria das vezes, não consigo sentar; tenho que
aguentar a maioria do trajeto, sendo amassado literalmente, pelas outras
pessoas que dividem o espaço comigo. Porém como vou para o trabalho a pé,
raramente passo por isso, somente nas terças e quintas, quando acaba minha aula
de natação por volta de 18h.

Voltando ao assunto
inicial do texto, onde estou sentado e ao meu lado, ainda ninguém. Fiquei
pensando em muitas coisas da vida, principalmente quem seria a pessoa que
sentaria ao meu lado. Geralmente, senta homens gordinhos, ou senhoras de idade.
Pouco converso durante o percurso, fico mais divagando em meus devaneios.
Dessa vez, sentou a meu lado alguém, que quando olhei, só
consegui vê nariz e uma boca grande; tentei observar mais atentamente, para vê
como era seu rosto, mas eu estava sério e ranziza, um pouco preocupado também,
porque tinha uma reunião e já estava atrasado para ela, porém me confortava
saber que a culpa jamais podia ser minha, pois o ônibus estava cumprindo seu
trajeto perfeitamente.
Estava tentando entender, porque não conseguia mais ser
como aquele que eu era antes de casar, um rapaz, que gostava de puxar assunto,
com qualquer um que estava perto de mim. Tinha sido assim, que tinha feito meus
melhores amigos; conversando em biblioteca, cinemas, teatros, conhecendo um a
um.
Mas logo percebi que era o momento de olhar e conhecer
apenas pelos gestos. Pude vê-la completa quando ela se levantou e descobri que
aquele nariz e aquela boca, faziam parte de uma estrutura bem formada de
beleza; uma linda mulher de cabelos longos, silhueta bem formada, estatura
surpreendente ao se levantar. Como as aparências enganam, ao vê uma mulher pela
metade e vê-la por completo.
Muitas vezes para mim me satisfaço em contemplar o belo
nas pessoas, sem precisar tocá-las, há não ser com os olhos da admiração. Dessa
forma, tiramos todo mal dos nossos sentimentos e vemos as pessoas como elas são
realmente, perfeitas obras da natureza e do cosmo.
Nenhum comentário:
Postar um comentário