
Estava
olhando a lista fixada no quadro próximo ao NAP* na faculdade onde estudo.
Procurei e não encontrei a sala onde seria minha aula de Comunicação
Comunitária, ao lado tinha apenas o nome da disciplina e apagado de corretivo:
a sala de aula. Fui falar com a Morgana coordenadora do curso de Jornalismo,
mas ela ríspida disse que eu esperasse e saiu conversando com outra
pessoa que parecia ser professora. Ai eu olhei de longe e vi dentro do NAP
no quadro branco com letras pretas o aviso que dizia: “Comunicação Comunitária
não haverá aula“. Fiquei chateado e já estava cansado, pois eu tinha ido semana
passada numa quarta feira para o centro e recebi uma ligação que não haveria
aula, pois o professor estava viajando, na quinta não teve aula, pois estávamos
matriculados em uma disciplina que era para quem estava concluindo, só que não
tínhamos sido avisados disso na hora de fazer a matricula online. Na sexta me
ligaram dizendo que não tinha aula, pois a professora estava doente. Pois na
segunda quando já estava no quarto dia do inicio do semestre sem, no entanto
ter tido uma aula. Fui para casa na segunda e dentro do ônibus 810-Praia do
Futuro estava sentado ouvindo no meu celular a A3FM no programa Canal do Vovô e
os comentaristas falavam sobre os 500 jogos do Dimas no comando do Ceara,
devido os problemas na faculdade e meu coração de alvinegro esta me alertando
por dentro, resolvi e decidi que iria ao jogo de Quarta feira, independente de
ter ou não aula, seria minha vingança a desorganização da minha faculdade que
por ética não direi o nome. Na terça-feira estava eu no trabalho contando o
tempo para ir a loja do Sou Mais na Avenida Barão de Studart comprar meu
ingresso, que por sinal estava de promoção, 10 reais a inteira e 5 a meia para
a arquibancada. No setor social estava 20 reais inteira e 10 a meia. Como sou
estudante paguei somente 10 reais e escolhi ir ao melhor setor, cadeiras
cativas. Na quarta fui trabalhar e fiquei vendo os programas esportivos locais
e todos falavam sobre o Soldado Alvinegro. Sebastião Belmino apresentando o
Debate Bola, indagou a Wilton Bezerra sobre os 500 jogos de Dimas e o que se
viu foi um comentário como sempre tendencioso. Ele falou sobre um treinador de
um time mexicano que se matara em pleno estádio de futebol depois de saber que
logo após o jogo independente do resultado seria substituído por outro
treinador. Fiquei pensando porque ele não falou de Dimas Filgueiras, afinal era
isso que Sebastião Belmino queria saber, mas Wilton Bezerra se recusa a
engrandecer o Ceará mesmo no momento que o clube merece e nesse caso seu
treinador. Na TV O Povo no Trem Bala comandado por Alan Neto em que seu
apresentador e a equipe fazem de tudo para falar mal do Ceará e cobrar o máximo
da equipe, enquanto massageiam o ego do Fortaleza rival do Ceará. O único da
equipe que ainda respeita o Dimas e seu trabalho é: O Homem Mal, Vavá Maravilha
que sempre elogia o Soldado Alvinegro. Nesse dia em especial todos até Sergio
Ponte que tem pavor de Dimas estava o elogiando pelos seus 500 jogos. Alias
o próprio Dimas estava no programa no quadro: Verdade ou Mentira? Quadro que
todos os componentes da mesa colocam o entrevistando numa saia justa com
perguntas difíceis. Dimas carioca que
jogou ao lado de Garrincha no Botafogo e chegou ao futebol Cearense em 1971 a
pedido de Castilho veio jogar no time do Fortaleza, porém em 1972 já estava no
rival Ceará e em 1976 se aposentou e virou supervisor. Em todos esses anos a
parti de 1982, todas as vezes que a situação se complicava chamavam o Dimas
para ser o treinador interino. Ele foi
campeão nesse cargo em 1996, depois de ganhar dois turnos e perder o terceiro e
por pouco não ter perdido o cargo. Em 2002 foi novamente campeão cearense,
Ainda foi Vice da Copa do Brasil em 1994 perdendo na final por 1 a 0 para o
Grêmio, quando ainda teve um pênalti para o Ceará e o juiz não deu. Conseguiu
vaga para Copa Comembol em 1995 e Sul americana em 2011. Dimas foi injustiçado
em vários momentos, mas como soldado alvinegro já passou por vários cargos no
Ceara, inclusive de Vice Presidente. Depois de escutar todos os programas,
continuei trabalhando, depois fui para casa. Quando deram dezoito horas sai de
casa. Quando desci do ônibus e fui
andando vi o movimento de vendedoras de bebidas e de camisas já posicionados
esperando os clientes chegarem. Alguns poucos torcedores estavam já se
aproximando do estádio. Fiquei na Praça da Gentilandia observando as pessoas.
Tinha um grupo de torcedores com a camisa dos Cangaceiros Alvinegros, torcida
organizada do Ceara, bebendo e cantando musicas de forró e hinos de animação de
torcida. Eu estava sentando num banco de concreto redondo em forma de banco e
um amigo meu apareceu. Ele estava vendendo bebidas num carro. Depois de ter
consumido uma garrafa de água mineral resolvi entra no estádio. Já era próximo
de 19 horas. Quando adentrei o
setor de cadeiras cativas me surpreendi com a estrutura. O banheiro era
praticamente de luxo. Não conhecia ainda essa parte do Estádio Presidente
Vargas após a reforma terminada em 2011. Pois sempre ia para a arquibancada.
Ali me sentei em uma cadeira confortável e olhei o estádio que estava vazio. Uma
senhora sentou ao meu lado e disse que só veio ao jogo porque teria pouca gente
lá. Eu disse a ela que em pouco mais de uma hora aquilo ali estaria entupido de
torcedores. Dali onde eu estava ficava a imprensa um pouco mais em cima e atrás
de mim. De vez em quando eu olhava para trás e contemplava o cenário perfeito
de narradores e microfones e o lugar que quero estar futuramente. Em baixo a
minha frente estava o gramado onde vi os repórteres de campo que entrevistam
jogadores, treinadores e dirigentes. Aos poucos como eu havia previsto foi
chegando torcedores e quando faltavam poucos minutos para o inicio da partida
do Ceará contra o Tiradentes o estádio estava completamente lotado, só havia um
pequeno espaço para a torcida do Tigre, mas ele não tem quase torcedor e no
inicio do jogo aquele local foi sendo preenchido pela nação alvinegro. Fiquei ali. Quando as vovozetes entraram em
campo com uma faixa que enaltece os 500 jogos do Dimas a torcida toda do
estádio puxada pela Cearamor foi a loucura, gritos fortes, algo vibrante poucas
vezes visto. Logo depois entraram as duas equipes em campo. O time do Ceará
estava com uma camisa preta por cima da camisa de jogo com a homenagem ao Dimas.
Quando Dimas entrou em campo, milhares de microfones, câmeras, e pessoas se
dirigiram para ele, também Robson de Castro Vice-Presidente, Evandro Leitão
Presidente do Ceará e o Presidente da Federação Cearense de Futebol Mauro
Carmelio levaram a ele uma placa em homenagem aos seus 500 jogos. Enquanto esse
acontecimento ocorria, vi muitos torcedores ao meu lado batendo papo e no canto
do gramado a homenagem acontecendo. Eu pensava que ele viria para o meio de
campo e seria homenageado para toda a torcida ver, mas ficou restrito a um
pequeno lugar rodeado da imprensa. Depois a Cearamor ainda o chamou e ele foi
até perto dela, na trave do lado esquerdo de onde eu estava. Pouco depois o
jogo começou e os jogadores começaram a cumprir o que disseram antes do jogo,
fazer uma exibição para homenagear Dimas. Foram cinco gols do Ceará contra
apenas um do Tigre da PM. Um dos autores do gol foi Romário, jovem promessa das
categorias de base do alvinegro de Porangabussu que fora lançado no time
profissional por Dimas e que ao final do jogo agradeceu ao professor aquela
oportunidade. Seria grato para sempre. A torcida passou o jogo todo vibrando,
somente alguns poucos torcedores que nunca estão satisfeitos com nada ainda
reclamaram que não estava bem o Ceará. Dimas ganhou mais uma batalha em sua
vida de amor ao Ceará. Como disse Sérgio Ponte Dimas deveria ganhar um busto na
sede alvinegra em Porangabussu. Dimas disse que espera chegar ao número de 600
jogos como treinador. Eu posso levar essa experiência para sempre na minha vida
profissional de jornalista, momento em que presenciei a justiça sendo feita.
Ate quando Dimas no comando? Com certeza somente com bons resultados ele
permanecera, mas seu nome foi gravado nesse dia 03 de fevereiro de 2012 no
Estádio Presidente Vargas.
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