Já fazia 52 dias que eu não tomava
um gole de álcool. Deixei de beber porque queria ser mais saudável e viver de
uma forma mais equilibrada, pois o álcool nos tira às vezes a razão e nos deixa
totalmente emocional. Ontem como era o ultimo dia do carnaval, fiquei sem saber
qual destino tomar: Aterro de Iracema com Arlindo Cruz, Avenida Domingos
Olimpio, Cinema no Via Sul onde teria promoção de três filmes por 10 reais. Que
duvida cruel!
Com meu tio Claudio passou aqui na casa da minha Irma na Praia de Iracema,
ficamos aqui mesmo durante a manha conversando besteiras, estávamos dizendo a
diferença entre pobres e ricos. Quando
o pobre chega, já é fazendo barulho, já o rico chega aos cantos com mais
delicadeza. Minha mãe ali do lado vendo a nossa licença poética em relação às
classes ficava com raiva, mas depois via que era brincadeira e caia na
gargalhada.
Já perto de 17 horas eu chamei meu tio para dar uma olhada no Bar da Mocinha
que fica na Rua Padre Climério. Cheguei com intenção de passar somente meia
hora. Pois não queria deixar minha mãe só. E realmente voltei para buscá-la
porem encontrei a casa fechada e voltei de novo para o local, que já estava mais
cheio.
Fiquei ali tomando minha água mineral e vendo a movimentação das pessoas.
Dílson Pinheiro tinha aberto a tarde e iniciou-se a musica com o bloco Num
Ipaia Si Não Ienche. Não tem como não admitir que tenha muita mulher bonita,
estava ficando tonto. Estudantes, intelectuais, boêmios, um verdadeiro carnaval
sem precisar sair de Fortaleza para se divertir.
Quando já era 18 horas o negocio começou a pegar fogo. Tomei uma latinha de
refrigerante, fiz algumas amizades e percebi que aquilo poderia ficar melhor e
me aproximei de um grupo de mulheres lindas, ainda puxei conversa com uma
loira, estava achando que podia rolar a algo.
De uma hora para outra apareceu uns amigos meus. José e seu irmão, que como eu
também eles usam óculos. Se fosse numa casa de forró poderiam nos achar uns
nerds e ficaríamos excluídos, mas ali no Largo da Mocinha o que importa são as
idéias. Meus amigos começaram a beber e eu acabei o jejum e comprei uma
latinha.
Por coincidência quando comecei a beber chegou meu tio com umas mulheres e me
apresentou uma baixinha, ficamos amigos e foi bom. Mas eu estava de olho em outra
jovem de preto. Meu tio estava mais perto dela e ficava tentando ganha-la, mas
eu via que ela não estava afim dele, pois ficava me olhando.
Lembro-me que perdi dinheiro. Outra coisa que fiz foi flertar com uma jovem que
estava vendendo cerveja. Toda vez que eu ia ao banheiro, que afinal foram
varias pegava no ombro dela e dizia coisas bonitas. Como elas eram varias
vendedoras ambulantes de bebida. Eu comprava bebida de varias vendedoras, por
isso fiz bastantes amizades.
Alem dos ambulantes, tem claro o Bar da Mocinha, para quem curti o carnaval em
uma mesa, sentado com um grupo de amigos. A Mesa estava custando 20 reais. Como
eu queria me movimentar não quis ficar em uma mesa. Pois as coisas melhores
estavam circulando no meio da multidão, era muita mulher dançando e querendo
beijar é claro.
A Banda além de tocar musica antigas, as
famosas marchinhas, revisitou musicas das gerações dos anos 80, 90,
além de também homenagear o cantor Wando.
O
carnaval já estava acabando, a volta a rotina se anunciava. Batia dentro de mim
uma mistura de alegria e nostalgia, por saber que aquilo que foi maravilhoso de
novo só daqui há um ano.

Um comentário:
Seu carnaval não poderia ter sido melhor,teve um cheiro de resgate cultural,fazendo a leitura da sua narração,por alguns momentos me senti lá,no bar largo da mocinha.
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