21h30, exatamente o
momento que o mito começa a cantar. Eu estava lá, vendo a história acontecer na
minha frente. Eu não estava sozinho, por volta de cinquenta mil pessoas juntas
acompanhando em coro a voz do ex-beatle vivo.
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| Carlos Emanuel (centro) |
Há dez anos atrás, eu com 23 anos estava lá na Concha Acústica,
com meu pai Assis, meu amigo Bosco, Silvano e outros fãs dos sucessos que
marcaram época durante belos 07 anos de sucesso dos Beatles (1962 até 1970).
Naquele anfiteatro, se apresentavam couver´s dos garotos de Liverpool. Era a
banda Sargento Pimenta, Rouber Souls, Luizinho e banda, entre outros.
O evento era
promovido pela FM Universitária através do programa apresentado por
Nelson Augusto, chamado Frequência Beatles, que até hoje ainda
ocorrer aos sábados às 18 horas. Durante esse tempo todo, continuei
firme e forte indo sempre no último sábado de cada ano naquele evento
tradicional. Porém jamais imaginaria que iria ver um integrante da banda
original.
Pois quando soube
do show dele em Fortaleza, ano passado antes da inauguração do Castelão, fiquei
muito contente e esperançoso de ir ao show, mas na época os
"espíritos de porco" que só gostam de música que não tem letra
ficam contra o desejo do Governador Cid Gomes de trazê-lo para uma possível inauguração
da Arena Castelão. Preferiram o já manjado Fagner, que tem músicas boas, mas
ele a gente pode ver sempre, um Paul não, isso é coisa rara.
Mas o tempo foi
passando e em meados de fevereiro soube da confirmação do show, como eu estava
no meu estágio e trabalhando, fiquei atento e quando abriu as vendas no ingresso.com para clientes do Visa Banco do Brasil,
fui um dos primeiros a comprar e não me importei de escolher o Piso Superior, o
importante era entrar.
Os meses foram
passando desde a compra do ingresso, comecei a namorar, fui desligado do
estágio, demitido do trabalho, mas ainda me restava o meu ingresso. Eu fui
trocar ele no fim de semana retrasado no Mucuripe Club.
Lembro-me que
tive de descer ali no Dragão do Mar e ir a pé, passando por uma rua só de
catadores de lixo, e meio sinistra com casarões velhos onde os catadores
separavam seu material para reciclagem. Graças a Deus, eles não mexeram comigo,
consegui chegar ao guichê de troca de ingressos do Mucuripe. Com meu
voucher em mãos e identidade e Carteira de Estudante em mãos,
consegui pegar o ingresso.
No dia do show,
acordei perto de nove horas da manhã com meu amigo Eduardo, falando sobre a
Topic que iria sair da casa da mãe da amiga dele às 15h50. Como não tinha muito
que fazer, fiquei ali na internet, esperando chegar a hora de me arrumar.
Enchi garrafas
de água, passei a roupa, almocei e nada de chegar a hora. Já bastante
ansioso fui me arrumando perto de 14 horas. Minha irmã Maria Lúcia me ligou
querendo saber como eu estava na véspera do show e dizendo que ela
queria ir, mas já não tinha mais como comprar ingresso.
Os boatos rolavam
em torno do Paul MacCartney. Diziam que ele queria uma bicicleta para sair pelo
calçadão da Praia de Iracema. Seria legal vê-lo fazer isso, mas soube que
ele foi mesmo para outro lugar. Jericoacoara, onde tem bela praia e boa
culinária.
Em Fortaleza,
chegando na noite anterior se hospedou no Gran Marquise Hotel, lugar que a Jennifer
Lopez também já havia se hospedado e eu participei do Web For ano
passado.
Quando cheguei ao
prédio, onde o Eduardo trabalha, ele estava lá no lugar de recepcionista no 8°
andar de um prédio bem elegante. Ficamos lá esperando o pai de ele nos buscar para
levar na rua: Beni de Carvalho, para se juntarmos aos outros, rumo ao estádio.
No caminho não houve dificuldade. Nossa Topic foi se aproximando do Castelão
e víamos as pessoas caminhando até lá, algumas deixavam o carro mais
distante, porém o nosso motorista nos deixou bem próximo.
As filas ao redor do local do evento eram enormes fazendo o
circulo ao redor da Arena Castelão. Nos, um grupo de 11 pessoas, ficamos juntos
numa fila.
Enquanto esperávamos numa tarde de quinta-feira, esses grandiosos eventos, operários trabalhavam ao nosso lado a todo vapor nos seus tratores e aradores, correndo contra o tempo, para aprontar os alargamentos das avenidas nas proximidades do estádio que será sede em um mês da Copa das Confederações.
| Carlos Emanuel |
Estávamos no clima de um evento que parecia um festival de rock.
As camisas expostas a venda, as pessoas deitadas na "grama". A
diferença aqui era o público, não só tínhamos os dinossauros do
passado, mas também a nova geração fã dos Beatles. Eram senhores, senhoras que
embaladas pelas canções como Hey Jude, My Love e tantas outras viveram
amores inesquecíveis.
Como os preços
das bebidas e comidas lá dentro do estádio já nos assustavam antes de entrar,
começamos a beber e comer fora mesmo. Comprei umas latinhas de cerveja e já
fiquei bebendo, para aguentar aquela espera. Desde às 16: 40 por ali e quando
deu 17:30 o portão previsto para abrir, não abriu.
Ouvíamos o som da
banda, ensaiando e já sentíamos um pouco o clima de como estaria na
hora que entrássemos. Era eu, Eduardo (meu amigo da Faculdade), Laila (sua
namorada), Fátima (advogada e mãe de Eduardo), duas senhoras, um
casal de mulheres, um senhor e sua esposa e um casal, um rapaz e uma moça. Como
o Eduardo, sua namorada e sua mãe eram superior lateral, foram para outra fila.
Eu fiquei com as
pessoas desconhecidas, mas foi bom trocar idéias. Não estava disposto a beber,
porém uma cerveja foi bom para relaxar. Bebi e deu vontade de ir ao banheiro,
como não achei fui num estacionamento e fiz lá, com autorização é claro do
dono.
Quando deram 18 horas um setor atrás de nós abriu as portas para
as pessoas entrarem e nosso setor ficou ainda travado até 19 horas. Depois de
muita espera enfim estávamos ali dentro da maravilhosa Arena
castelão que em breve será palco de grandes jogos.
Eu estava com as
duas senhoras que foram logo comprar algo para comer. Esse povo cearense come
muito. Eu fui comprar uma cerveja R$ 6,00, pense que entrei com R$ 50,00 e sai
liso só tomando cerveja. Caro demais.
Quando entrei e
fiquei ali sentado nas cadeiras, fiquei vendo que faltava pouco mais de uma
hora para começar o show e o público ainda era pequeno, vários buracos eram
notados no setor frontstage e outro bem também no gramado. Mas bem perto das 21 horas começou a
ser ocupados os espaços vazios.
| Público no show de Paul MacCartney |
Quando Paul subiu ao palco foi àquela histeria e bem elegante ele
estava vestido. O som estava perfeito, diferente do que dizia no jornal O Povo,
na edição desta sexta-feira (10). Paul trocou varias vezes de guitarras, violão
e tocou no piano preto e num com a cor bem exótica (colorida).
Algumas músicas
da carreira solo e outras músicas dos tempos dos Beatles. O público participou
muito, bateu palmas. O Paul falou em português: Cearenses, Vamos Botar Boneco
(deixou todos nós muito alegres e rindo).
Ainda teve o
rapaz que pediu a mão da moça e receberam um abraço do Astro Inglês,
foi inesquecível. Sem nos esquecermos das idas e voltas dele ao palco. Vi
ele bem pequeno, parecendo uma formiguinha é verdade, mas pelo
telão o víamos completo ao vivo.
Eu fiquei em muitos momentos sem palavras, sem acreditar no que estava acontecendo. Parece besteira para alguns, mas para mim não. Não tive a chance de ver um show do Raul Seixas meu grande ídolo nem de Elvis, por isso achei esse super especial. Único aqui ele não volta mais, só se for para passeio.
| público espera do lado de fora abertura dos portões |
Na saída vi no sorriso solto das pessoas, nas
conversas agradáveis a resposta do que lá dentro houve algo
maravilhoso.
Fui para o local
marcado e não encontrei meu grupo, comprei um picolé de morango e
fiquei ali tentando ver alguém, até que encontrei o Eduardo, a mãe e namorada e
fomos encontrando o restante e se dirigimos a Topic. Houve certo
engarrafamento, mas chegamos por volta de uma meia da manhã na casa da mulher
da Topic e lá ficamos esperando o pai do Eduardo.
Ele chegou e o carro seguiu na rua: Beni de Carvalho, quando tomamos o susto, cinco caras pularam em cima do carro e invadiram e tomaram bens dos pais do meu amigo Eduardo. Na hora eu estava tão desligado que vi a ação acontecer e fiquei congelado, vi a hora os caras atirarem na gente, porém, depois de pegar o que queriam partiram e ficou na gente o susto, dessa cidade violenta.
Fui para casa do
meu amigo e tive uma noite boa de sono, no ar condicionado e tudo tranquilo de
manhã cedo se levantei para ir embora, ainda conheci o Lucas (bebê), filho de
Marcela, irmã do Eduardo.

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