Cop do mun
Esse
ano de 1994 foi um ano marcado por alegrias e decepções para os brasileiros.
Primeiro a tristeza da perca do ídolo da Formula 1, Airton Senna, que por
tantas manhãs acordou o Brasil com suas emocionantes vitórias.
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Senna sendo ovacionado pelos torcedores franceses
Foto: Pisco Del Gaiso/Folha Imagem
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Ele
partiria tragicamente, no dia 01 de maio, com um acidente a 300 km na curva
Tamburello, circuito de Imola, na Itália. Dez dias antes, Senna deu o ponta pé
inicial de um jogo amistoso entre Brasil X um combinado PSG/ Bordeaux, no
estádio Parc des Princes.
Copa na terra de outros esportes
E
foi ai que começou a ligação da morte de um personagem e o nascimento de outros
que dariam a vida para ganhar o Campeonato de Futebol Mundial de seleções, que
aconteceria entre os dias 17 de junho e 17 de julho nos EUA, terra do Tio Sam.
Seria
a última Copa no formato de 24 seleções. Um recorde absoluto de público nos
estádios, com mais de 3 milhões e quinhentas mil pessoas acompanhando cada
momento.
O
mundial seria fraco em números de gols, com a média de apenas 2,71 gols por
partida. Tendo como artilheiros Stoichkov (Bul) e Salenko (Rus), com seis gols.
Colômbia do sonho ao pesadelo
Antes
da competição, um time encantava com seu futebol na América do Sul. A Colômbia
jogava pelo grupo A e liderou a sua classificação massacrando a Argentina por 5
x 0 em pleno Monumental de Nunez. Eram craques como Andrés Escobar, Freddy
Rincon, Carlos Valderrama, Adolfo Valencia e Faustino Asprilla.
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| Escobar e o gol fatal |
Foram
4 vitorias, 2 empates, com 13 gols a favor e só dois gols contra. Nessa
seleção, o zagueiro Escobar seria o personagem marcante. Campeão da
Libertadores da América de 1989 e do Campeonato Colombiano de 1991. Fez o gol
contra no jogo contra os EUA na Copa e depois foi assassinado por apostadores
de Medelín, que perderam grandes quantidades, com a eliminação da Colômbia.
Outros campeões ficam pelo caminho
A
Alemanha estreou na Copa do Mundo, no estádio Soldier Field, em Chicago, no dia
17 de junho de 1994, com direito a desempenho de Whintney Houston. Venceu a
Bolívia por 1 x 0 gol de Jurgen Klismmann. Ainda empatou com a Espanha por 1 x
1 e venceu a Coréia do Sul por 3 x 2.
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| Klismmann |
Os
hermanos argentinos vinham jogadores bem conhecidos: Batistuta, Simeone,
Caniggia, Redondo e Ariel Ortega. Maradona que jogou o mundial e seria pego no
antidoping, fez um golaço contra a Grécia.
A
eliminação deles, se deu nas oitavas de finais ao perder por 3 x 2 para a
Romênia. O jogo aconteceu em Los Angeles no sol mais refrescante de 17h30.
O
atacante Dumitrescu fez 1 x 0 de falta, aos 11 minutos. Aos 16, Batistuta fez o
gol de empate. Aos 18 de novo Dumitrescu marca. Aos 13 do segundo tempo Hagi
amplia para os romenos. Abel Balbo anda desconta para os argentinos.
Da
África veio a surpresa Nigéria vencendo a Bulgária na estréia por 3 x 0. Depois
perdeu para a Argentina por 2 x 1 e venceu a Grécia por 2 x 0.
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| Roger Milla |
Nessa
competição ainda um “vovô garoto”: Roger Milla de 42 anos e que pelo Camarões
seria o jogador mais velho a joga uma Copa do Mundo. Ele que durante a passagem
pela sua seleção marcou 28 gols em 122 jogos.
Azurra na disputa
A
Itália treinada por Arrigo Sacchi contava, com jogadores de peso, como
Pagliuca, Maldini, Costacurta, Donadoni, Baggio e Massaro. A seleção estreou
perdendo para a Irlanda por 1 x 0. Ganhou da Noruega por 1 x 0, com gol de
Baggio, aos 69 minutos de jogo. E empatou com o México por 1 x 1. Passaria
segunda fase, como 4° melhor 3° lugar.
Nas
oitavas de finais a Itália venceu na prorrogação, com dois gols de Roberto
Baggio. Nas quartas, a seleção venceu a Espanha por 2 x 1 com mais dois gols de
Baggio.
Nas
semi-finais a Azurra enfrentou a Bulgária de Stoichkov ganhando, por 2 x 1 com
mais dois gols de Baggio.
Roberto
Baggio nasceu em Caldogno. Foi meia-atacante do Vicenzo, Fiorentina, Juventus,
Milan, Bologna e Internazionale. Pela seleção de seu país atuou, 56 vezes e
marcou 27 gols. Jogou três Copas do Mundo e recebeu um prêmio Fifa, como melhor
jogador do mundo.
Mesmo
sendo de uma família católica de Veneto foi ao Budismo que encontrou a
serenidade.
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| Hristo Stoichkov |
Hristo
Stoichkov jogou em grandes clubes da Europa, como Barcelona, CSKA Sófia,
Kashiwa, Chicago Fire e DC Unitde. Jogou 83 jogos pela seleção e fez 37 gols.
Venceu pelo Barça, a Liga dos Campeões (1991-1992), 4 campeonatos espanhóis,
uma Copa do Rei.
A
bola da Copa foi a “Questra” fabricada pela Adidas. Ao vencerem o Marrocos por
2 x 1, na primeira fase, os jogadores da Arábia Saudita ganharam do Rei Fahd,
um automóvel cada um.
Um país de torcedores (treinadores)
Nas eliminatórias
para a Copa do Mundo de 1994, o Brasil conheceria sua primeira derrota nos
jogos classificatórios. Foi no dia 25 de julho de 1993, na altitude de La Paz
(3,6 mil metros acima do nível do mar), com frango de Taffarel, no gol de Marco
Etcheverry.
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| Marco Etcheverry |
Mas
o Brasil ainda tinha chances de ir ao mundial e Romário não era convocado desde
um amistoso em 16 de dezembro de 2013 em que o baixinho não gostou de ficar no
banco de reservas. Mas o clamor do povo, o aval de Bebeto, o ídolo do Barcelona
era chamado para o jogo decisivo.
19
de Setembro de 1993, mais de 100 mil pessoas no Maracanã. A disputa de uma
única vaga para a Copa do Mundo dos EUA.
O
Uruguai de Sosa, Daniel Fonseca e Pablo Bengochea. O baixinho Romário era o
“cara” e depois de um primeiro tempo nervoso, o camisa 11 do Brasil faz, um gol
de cabeça aos 28 minutos do segundo tempo com cruzamento na medida de Bebeto.
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| Romário faz o segundo gol |
Aos
38 minutos, Mauro Silva lança Romário, que dribla o goleiro Siboldi e decreta a
vaga brasileira.
Um Tetra surge
O
Brasil estava no grupo A, com Suécia, a Rússia e Camarões. O time jogava de
maneira retranqueira com Dunga e Mauro Silva como volantes.
A
partida de estreia, a seleção brasileira venceu por 2 x 0 a Rússia, gols de
Romário e Raí. No segundo jogo a vitória brasileira viria com gols de Romário,
Bebeto e Márcio Santos, num 3 x 0 sobre o Camarões.
No
jogo contra a Suécia, o Brasil começou perdendo, por 1 x 0 empatando no começo
do segundo tempo com Romário, o que garantiu o primeiro lugar do grupo.
No
Independente Day americano, um presente grego para os EUA, a vitória canarinha
por 1 x 0, aos 15 minutos do segundo tempo, gol de Bebeto.
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| Branco de falta |
Nas
quartas, o Brasil enfrentou a Holanda, num jogo disputadíssimo, em que Romário,
Bebeto e Branco de falta resolveriam o jogo, que terminou num 3 x 2, com
direito a comemoração “balança nenê”, para o filho de Bebeto, Mateus que tinha
nascido há pouco tempo.
Nas semi-finais, de
novo a Suécia e uma difícil vitória por 1 x 0, gol de Romário.
Naquele
dia 17 de julho de 1994, no Satdium Rose Bowl para um público de 94.194 pessoas
duelava Brasil x Itália, dois tricampeões, em busca da hegemonia das
conquistas.
Eu
me lembro daquela Copa, como a mais emocionante em termos de expectativas, pois
na emissora de maior audiência da época, o Galvão Bueno era o narrador e tinha
ao seu lado o craque Pelé. A voz que durante anos emocionou a todos com a
narração das vitórias de Airton Senna, nas manhãs de domingo buscava, sua
primeira vez transmissão de um título do futebol em um campeonato mundial.
O
Brasil vinha com Taffarel, Aldair, Márcio Santos, Jorginho, Branco, Mazinho,
Zinho, Mauro Silva, Dunga, Romário e Bebeto. Como treinador Carlos Alberto
Parreira e Supervisor técnico: Zaggalo.
A
Itália era formada por Pagliuca, Baresi, Mussi, Maldini, Benarrivo, Albertini,
Baggio, Donadoni, Berti, Massaro e Baggio.
Duas
equipes jogando na defesa e praticando como nunca um jogo feio, na espera do
erro adversário. O jogo no calor de 12h35 ficaria no 0 x 0. Os tiros livres da
marca dos pênaltis seriam o máximo.
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| Galvão e Pelé |
E
foi assim que o Tetra veio na voz de Galvão, com gols para o Brasil de Romário,
Branco e Dunga, para Itália Alberti e Evani. O lance crucial foi a perca da
cobrança por parte de Roberto Baggio.










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