Quando vi o texto opinativo
“Don Romero, um santo progressista”, do jornalista salvadorenho Carlos Dadá, no site da
Apública (Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo) eu comecei a pensar
sobre o assunto. Há mais ou menos 15 anos atrás, eu tinha visto um filme sobre
Óscar Romero no tempo em que já se falava em Teologia da Libertação, Concilio
Vaticano II e também em conferências de Medellín e Puebla.
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| Oscar Romero |
Eu até não entendi bem sobre o assunto. Mas
compreendia claramente que o Bispo que fora assassinado pela direita, enquanto
celebrava missa no dia 24 de março de 1980 em El Salvador fora vítima de um
grupo político que comandou a América Latina por muitos anos, com o apoio dos
EUA. Enquanto as populações de vários países passavam fome e medo, os coronéis
do campo e da cidade com seus capangas eram quem mandavam matar quem se
colocasse em seu caminho.
Na mesma matéria do Apública é citada a
posição do Papa Francisco depois de 35 anos de suspensão do processo que julga
a beatificação do salvadorenho. O líder espiritual da igreja católica sucessor,
de Pedro para os católicos reparou o erro de sua própria igreja.
Para o argentino, Romero “é um homem de
Deus”. Mais do que justo, que um líder latino americano como Jorge Mário Bergoglio,
que conviveu com as realidades tão cruéis de ditaduras militares na Argentina,
Brasil, Chile, Peru, entre outros possa reconhecer o mal produzido pelos
Arcebispos e bispos aliados aos tiranos e que em alguns momentos ajudaram a
perseguir homens de fé, como Frei Beto, Leonardo Boff e outros tantos, que
pereceram pelo caminho.
O crime cometido pela Igreja Católica
Apostólica Romana não será esquecido, mas a reparação de injustiças é uma
vitória em um mundo, onde as pessoas matam por brincadeira, com o simples
prazer da crueldade.
Hoje na América Latina, ressurreição da
dignidade dos povos, com governos de esquerda, como o do PT no Brasil, de Evo
Morales na Bolívia, da Argentina, com Kristina Argentina, De Maduro na
Venezuela. Esses governos têm elevado a auto-estima das pessoas mais humildes,
que estão tendo acesso ao consumo, além da educação. Posso citar apenas
programas como o Bolsa Família, Prouni, que estão na vanguarda do mundo em
termos de inclusão social.
Porém, esses países enfrentam além de uma
mídia golpista, que esconde os mau-feitos da direita, como no caso do Brasil, a
corrupção da era FHC, Trensalão tucano em São Paulo e outros e exaltam os erros
pequenos nos governos de esquerda, como o exemplo da tapioca que o então
ministro do Esporte Orlando Silva (PC do B) comeu com cartão corporativo, ainda
um judiciário suspeito, com a informação seletiva das apuração da Lava jato,
com apenas vazando para imprensa nomes do PT e aliados, enquanto nomes do PSDB
e DEM estão guardados a sete chaves.
Hoje vivemos uma “pseudodemocracia”, com os
aparelhos estatais vítimas de operadores corruptos, que se aproveitam da
fraqueza do estado para agir. Romero vivia num período mais duro num país
agrário e cheio de ódio dos comunistas. O bispo na época com 62 anos era visto
como um esquerdista, mesmo motivo que fez a igreja católica recusar-se a
considerar “santo”, quem era parte de um movimento de ateus.
O mal era ter escolhido olhar para os pobres
e propiciar melhoria na vida de quem mais era necessitado. Se Lula (PT)
escolheu o povo pobre ele virou alvo da mídia, de pessoas como Arnaldo Jabor,
Reinaldo Azevedo, Mirian Leitão, Merval Pereira, Noblat e o Mahhatan
Connection, além da Rachel Sherazade.
Mas o atual Papa tem o respaldo dos fiéis
para agir, não se sabe ate quando. Tem o perigo de ele abrir a caixa de pandora
da Cúria Romana e decretar sua morte e o fim do seu papado prematuramente.

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