Nem precisa dizer que ao começar a ver essa série dirigida
tão brilhantemente pelo uruguaio César
Charlone a gente tem uma espécie de dejavu e passa a pensar que está dentro
do livro 1984 de George Orwell e vendo o grande irmão
nos observando, ou mesmo num universo competindo dentro dos Jogos Vorazes pela própria
sobrevivência, ou mesmo dentro do Lost
revendo os pensamentos do passado de cada personagem. Mas como o diretor também
é fotografo e trabalhou no Ensaio sobre
a Cegueira (2008), que foi logo de cara onde eu me senti, quando comecei a
ver essa película da Netflix.
O roteirista Pedro Aguilera deve ter percebido isso
e colocou sua imaginação para funcionar ao criar, um Brasil futurista, onde as
pessoas vivem em uma favela, ou morro, onde tudo falta e os habitantes moram
mal vestidos.
Esse contexto de
provas e testes psicológicos presentes nessa versão brasileira do Armagedon, nos trazem a tona para o
sistema capitalista, onde apenas uma pequena porcentagem da população usufrui
dos esforços dos demais. É fácil ver que os jogos são uma metáfora da vida que
realmente muitos estão trabalhando de sol a sol e só alguns curtem a vida.
Como num Big Brother, Master Chef, A Fazenda e
demais reality shows espalhados pelo mundo, os participantes brigam por um
prêmio. No caso da série é a chance de uma vida melhor no Mar Alto. E por isso os princípios são deixados de lado e tudo vale
à pena, desde que você alcance a meta final. “Você é o senhor do seu próprio destino, vai dar tudo certo”. Ezequiel (personagem, uma espécie de Pedro Bial, no comando do “processo”.
A coincidência da
vida é que é interessante. Nesses dias uma pessoa que conheço começou a
trabalhar numa loja de roupas em Fortaleza, como vendedora e o seu salário é
exatamente 3%, sem salário. Ou seja, se você vender mil reais todos os dias,
ganha apenas R$ 30,00. Mas uma vez o sistema que oprime as pessoas agindo sobre
um ser humano que acaba se submetendo a horas e horas de trabalho, por uma
migalha, enquanto o patrão está lá curtindo a vida e só administrando. Assim
todo mundo quer ser patrão.
Voltando a série,
confesso que no começo, no primeiro episódio da vontade de desistir de ver, mas
acabo insistindo um pouco mais e me identifico com os personagens: Michele e Rafael que são membros da “Causa”, Jeferson (cadeirante), que acredita num mundo mágico do outro lado.
Quem assistiu o Nosso Lar, um filme
brasileiro sobre espiritismo deve perceber a calma que é feita cada passagem de
cena e de cenário. Falta um pouco de mais velocidade e ação.
Talvez isso seja
intencional e com o passar dos anos e das temporadas, as coisas mudem um pouco.
Se bem, que uma época, assisti, uma série muito boa na Globo, chamada A Cura,
com Selton Melo e imaginava que
teria continuações, mas simplesmente foi só aquela 1° temporada e pronto.

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