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domingo, 11 de agosto de 2024

O desempenho brasileiro em Paris e nossa paixão pelo futebol masculino

 

Investimento ainda não é o bastante para mudar de patamar

 

            Foram muitas emoções para o torcedor brasileiro nas Olimpíadas de Paris em 2024. As mulheres dominaram com doze medalhas, das 20 conquistadas pela delegação brasileira. Todas as três de ouro foram delas: Rebeca Andrade (solo-ginastica), Beatriz Sousa (judô) e Duda e Ana Patrícia (vôlei de praia). O sucesso das mulheres também foi importante no futebol, com a prata, na despedida de Marta, bronze no vôlei de quadra, na última dança de Thaísa e o terceiro lugar de Rayssa Leal no skate street. E ainda o segundo lugar de Tatiana Weston- Webb, no surf.



            Ficamos no quase, com Ana Marcela, da natação, que terminou em quarto lugar na maratona aquática nas águas poluídas do Rio Sena. Homens também chegaram perto, com Isaquias Queiroz, na canoagem, c1 1000m, com a prata. Willian Lima, no judô, categoria 6kg, quase chegou lá. E todos os outros atletas brasileiros estiveram de parabéns, ao colocar o Brasil, com a segunda marca na história em número total de medalhas, atrás apenas de Toquio 2020, quando conquistamos 21 e na frente do Rio 2016, em que conseguimos 19 medalhas.

            Se analisarmos os últimos três ciclos, demos um salto de qualidade, em relação a Pequim 2008 e Londres 2012, com 17 pódios e Atlanta 1996 com 15 conquistas. Mas para um país continental, como o nosso e de uma das maiores riquezas do Planeta, estamos muito aquém do que poderíamos conquistar. Dos 60 atletas medalhistas 100 % eram integrantes do Bolsa Atleta, ou já participaram de editais passados. Gabriel Medina participou de dois patrocínios, Larissa Pimenta teve apoio por dez anos, Isaquias Queiroz, utilizou dos recursos por 13 anos.

            Os atuais medalhistas receberam do governo federal durante sua trajetória cerca de R$ 24,4 milhões, com 398 bolsas concedidas. Rafaela Silva, com 15 editais, Caio Bonfim, prata na marcha atlética com 14 editais e Rebeca Andrade, com 12, são os que mais se destacaram. Nesse programa criado em 2005, pelo governo Lula, buscou apoiar principalmente atletas de alto desempenho e a partir de 2012, com a Lei 12.395/11, durante o governo Dilma, os atletas podiam acumular outros patrocínios.

            Além disso, alguns dos atletas brasileiros em Paris, também pertenciam ao exército, como Alisson Santos, sargento da Marinha, que ficou com a medalha de bronze nos 400 metros com barreiras. O Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR) criado em 2008, pelo Ministério da Defesa, incorporando temporariamente os atletas para participarem de competições nacionais e internacionais.

            O Comite Olímpico Brasileiro (COB) investiu cerca de R$ 700 milhões, com repasses da loteria esportiva. Então porque com esse apoio todo, além dos patrocínios que cada atleta tem em suas publicidades individuais, o nosso esporte olímpico ainda não é uma potência mundial?


Fanatismo pelo futebol

            Para mim a questão cultural do brasileiro pesa muito, para a escolha do esporte a ser praticado. Nós a cada quatro anos se apaixonamos pelas olimpíadas. Passamos horas intermináveis vibrando a cada lance. Mas imediatamente após o fim da competição, voltamos o nosso olhar fanatizado para o futebol de sempre. E quando digo futebol, falo do masculino é claro. Cada um de nós volta para nosso clubismo, de primeira divisão, segunda divisão no Brasileirão, ou corremos para assistir os campeonatos de futebol pelo mundo, seja a Champions League, seja a Premier League, ou MLS e Saudi Pro League.

            Como uma criança, um adolescente, vai ter desejo de praticar outras modalidades, se as mídias inviabilizam esses atletas, seja do vôlei, da natação, do tênis, do atletismo? Não existe incentivo a cobertura e quando mostra são de casos isolados.  

            Temos que pensar não só em programas de transferências pecuniárias, que são algo paliativo, para ajudar na sobrevida do atleta olímpico, mas precisamos de um planejamento, um projeto que mude a mentalidade como um todo. Algo que integre escolas, faculdades, comunidades em geral. Colocar o esporte, como alternativa, ao mercado de trabalho. É necessário também combater as desigualdades sociais gritantes que fazem jovens se perderem na criminalidade e não consigam ter um futuro melhor. Ou seja, mexer na macroestrutura de poder e atrair o jovem da periferia para o esporte, dando eles a alternativa que pode ser decisiva para ele escolher um caminho honesto para sua vida.

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