Páginas

sábado, 16 de novembro de 2024

Quando vejo ‘O Retorno do Rei: Queda e Ascensão de Elvis Presley e a busca dos nossos sonhos

 

A morte espera todos nós, muitas vezes a morte é a própria vida que vivemos todos os dias, quando ela nos suga e nos tira tudo que poderíamos viver. Não há nada mais decepcionante do que a falta de sentindo com todo esse mundo e suas performances, suas divisões, seus desencantos. Quando vejo ‘O Retorno do Rei: Queda e Ascensão de Elvis Presley’, vejo a minha trajetória. Quantas vezes vivemos a vida que os outros querem para nós? Quantas vezes dizemos e deixamos as pessoas acreditarem que não adianta acreditar nos nossos sonhos?



Não relative seus objetivos, não perca de vista aquilo que te encanta e que te faz feliz. Seja cantar, seja atuar, seja atender pacientes enfermos, seja escrever. Ganhar dinheiro é uma necessidade humana, pois necessitamos de coisas básicas para ficarmos vivos. Comer, se vestir, lugar para descansar. Mas, além disso, não se pode deixar morrer a chama dentro de nós que nos mantém determinados a seguir em frente, quando tudo diz que não vale mais a pena.

Eu me sinto, como Elvis, quando enriquecia e enchia os bolsos do empresário Tom Parker. Ele fazia filmes bobos, mas que eram sucessos de bilheteria, mas os afastavam do que ele mais gostava, estar diante do público, de uma plateia, cantando seus ritmos que ele ouvia quando criança, na música gospel negra, nas igrejas e nos bares, onde os negros se apresentavam e que ele surgiu em Memphis, um garoto que se mexia no palco e dava voz.

Me sinto assim, porque hoje faço mais uma faculdade de Letras Português/ Inglês, já sou formado em Jornalismo, mas não consegui emprego na área e trabalho vendendo passeios turísticos para sobreviver. Mas sou infeliz. Porque amo escrever, sonho em publicar meus livros, criar roteiros, colocar em frente minhas entrevistas do meu podcast. Mas eu tenho que estudar para concurso, me dedicar a ganhar dinheiro e fazer mais uma faculdade e sinto que tudo isso me tira do que gosto cantar (apesar de ser ainda ruim nisso).

Então, Elvis dá um basta em 1967, abandona os filmes e volta a cantar, primeira volta ao gospel, depois em 1968, com um especial de fim de ano na NBC, ele é de novo o que ele veio para ser, o cantor de sucesso, com seu carisma em frente ao palco. O fim parece trágico em 1976, oito anos depois. Com 42 anos, ainda bastante jovem, ele nos deixou. Mas viveu intensamente.

Eu sinto que todos nós deveríamos tentar pelo menos uma vez viver intensamente. Claro, ninguém é herdeiro. Nem eu sou. Estou numa quitinete, deitado numa rede, que está com os punhos quebrando, e furos por toda a estrutura no pano, enquanto passa na TV: Netflix, a luta do Tyson x Paul. Uma coisa que está pegando um You Tuber x um pugilista famoso. Tudo é Business, negócio.

Por ser pobre, eu sei que, se eu não continuar trabalhando, tudo pode desandar, e o mundo ao meu redor é hostil. Cada um nas suas bolhas. As pessoas se dizem inclusivas, mas só estão preocupadas em se proteger em grupinhos. O resto é cuspido para fora do sistema.

 

 

 

Nenhum comentário: