Nas últimas semanas, tenho
aproveitado para conhecer melhor o sistema de bicicletas compartilhadas Bicicletas Públicas
Bicicletar oferecido pela Prefeitura Municipal de Fortaleza, operado
pela empresa Serttel e com o apoio da Unimed Fortaleza. Eu sigo o percurso que
compreende a Assembleia Legislativa do Ceará e a Avenida Beira Mar. De terça a
sexta-feira saio por volta de 17h do meu estágio de jornalismo e sigo pelas
ruas paralelas da Avenida Desembargador Moreira e sigo boa parte do caminho
pela Rua Joaquim Nabuco. Eu até louvo esse projeto, pois vejo que ele é
importante para cidade e para incentivar ao esporte e lazer e a apropriação da
população e a diminuição dos engarrafamentos, mas tenho criticas também.
Até o dia de hoje (09) foram 64.755 viagens de bicicleta pelo
projeto e 23.31 toneladas de créditos de CO2. Quem tem carteira de estudante ou
bilhete único se cadastra no site do bicicletar e pode andar uma hora sem pagar
nada, podendo renovar por mais uma hora com intervalo de 15 minutos. Ou quem
quiser pode pagar através de aplicativo no celular. O Valor é de R$ 5
(semanal), R$ 10 (mensal) e R$ 60 (anual).
São 30 estações
até agora concentradas principalmente na Avenida Beira Mar, Aldeota,
Centro da Cidade e com possibilidades de criar mais no Parque Araxá, Benfica,
Parquelândia, Farias Brito e São Gerardo.
Até aí está tudo
bem, porém existe a dúvida se essa iniciativa em longo prazo poderá chegar
também em bairros mais humildes. Bom Jardim, Messejana, Lagamar, são
localidades, onde as pessoas também têm o direito de uma alternativa de lazer.
Talvez sejam regiões em que haja dificuldade de controlar o uso adequado das
bicicletas por causa da violência constante nesses bairros e a precariedade das
condições mesmo de rede de esgoto, asfalto saúde, iluminações adequadas e
educação.
O prefeito
Roberto Cláudio (Pros) importou essa idéia de outras iniciativas, como em Belo
Horizonte (MG) em parceria com o banco Itaú. São estações onde a pessoa se
cadastra e passa a usar o serviço por uma taxa diária de R$ 3 na época do
lançamento em junho de 2014. É o Bike
BH.
No Rio de
Janeiro, o Bike Rio, já
proporcionou 4 milhões e 900 mil viagens, com 1785.49 créditos de CO2.
Já em São Paulo
existe um projeto de implantação de ciclo faixas iniciados na gestão do
ex-prefeito Gilberto Kassab (PSD), com criação de 60 km de ciclovias e outras
60 rotas de bicicletas, com uma malha viária de mais de 200 km. O atual
prefeito Fernando Haddad (PT) continua incentivando a prática dessa modalidade
e segundo pesquisa do Datafolha em 2014, 80% dos moradores da cidade de São
Paulo aprovam as ciclovias na cidade.
Ainda não existe
uma pesquisa em Fortaleza sobre as bicicletas compartilhadas, mas conversando
com algumas pessoas pude perceber que elas se sentem excluídas do processo
desse projeto. Uma dessas pessoas me disse que só olham para o bairro humilde
na hora do voto, mas esquecem de colocar esse tipo de serviço onde eles também
precisam.
Eu não quero
fazer uma crítica mais profunda antes de saber até onde vai a expansão do
projeto, porém se ele ficar apenas na Aldeota e redondezas para turista e rico
ver perde um pouco do seu sentindo. Lembro-me da ex-prefeita de Fortaleza,
Luizianne Lins (PT) que criou o projeto de Academia na Comunidade em 33 bairros
da cidade e que constava com o estimulo a orientação nutricional e a pratica
regular de atividades físicas. Eram seis mil pessoas atendidas na época.
Assim com
práticas dessa maneira as pessoas da cidade se sentem mais pertencentes a
comunidade e estão melhores integradas e conhecendo melhor seu próximo.
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