Para você que é fã do velho e bom intitulado ‘new journalism’, vai esse trabalho inspirado no livro, do fotógrafo Danny Lyon, The Bikeriders. No Meio oeste de Chicago, um clube de MotorCyrcle é criado, por Johnny (Tom Hardy), um pai de família, trabalhador, sem nada para fazer nas horas vagas, decide reunir pessoas em torno da paixão pelas motos. O filme que tem a direção de Jeff Nichols mostra a história de Danny Lyon (Mike Faist) que resolve viver durante anos e se filiar ao grupo de homens em busca de adrenalina. Mike entrevista Kathy (Jodie Comer), uma mulher jovem que um dia vai a um Pub, onde esses motociclistas se reúnem e acaba se envolvendo com Benny (Austin Butler), um jovem acostumado a viver fortes emoções na velocidade do asfalto sobre duas rodas. A vida nas rodovias, bares e corridas de endurece, regado a drogas, álcool e rock´rol é o combustível para esses homens que criam uma comunidade de respeito e regras de convivência na região.

Nada de cometer crimes, porém com o passar do tempo e com a fama do clube de motos se espalhando, o desejo de abrir novas filiais pelos EUA cresce e com eles novas pessoas sem freios e nem regras entram no movimento e o transformam em algo desordeiro. Um dos jovens dessa nova geração, The Kid (Toby Wallace) em várias tentativas de participar do movimento comete atos brutais e faz com que o crime se torne algo corriqueiro entre o crescente movimento de motos.
A ideia inicial de Johnny de apenas reunir pessoas para competir em motos e curtir as amizades se perde por conta de jovens desajustados e excluídos do sistema, que veem nesse movimento uma forma de canalizar sua fúria e torna tudo mais perigoso. Esse tipo de registro e vivência de um fotógrafo, que gravou as conversas com os membros do Motorcycle já foi muito usado por jornalistas como Gay Talese, Hunter Thompson, Truman Capote e tantos outros gonzos que realmente curtiam fazer matérias interessantes e misturado com a realidade.
No Brasil, Tim Lopes teve um fim trágico quando foi a um baile funk e se misturou as pessoas em busca de registrar algo mais visceral, porém não se pode brincar com a sorte e tem certos contextos difíceis de mostrar para o público, sem arriscar o pescoço. É o mesmo que fez há alguns anos, jornalistas entrando no campo minado dos fundamentalistas, do Talibã, ou da Al-Qaeda, onde os religiosos viam todo o Ocidente como inimigo e não respeitavam nem a profissão jornalistica que vai in loco, tentar mostrar a um mundo certo tipo de realidade.
Danny Lyon além desse trabalho com os motociclistas, esteve em presídios e outros locais, para trazer o olhar de dentro de cada contexto. Hoje vários jornalistas se inspiram no modo de fazer jornalismo assim, fugindo um pouco as regras do manual de redação, para ir a campo, usar mecanismos diferentes de persuasão para incentivar as pessoas a falarem sem se sentirem constrangidas.
Existem tantas realidades a nossa volta em busca de serem investigadas e contadas, mas faltam pessoas disponíveis a arriscar sua vida e seu tempo para viver essa experiencia única. Eu mesmo amo isso. Adoro entrevistar pessoas e conhecer novos lugares e novas histórias, um patrocínio e apoio para dedicar-se a isso é algo que realmente cabe como incentivo.
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